Aparecido Raimundo de Souza
SOMOS, OU MELHOR, estamos todos
ávidos e curiosos, com certeza. Uns para mais, outros para menos. Quem disser o
contrário, não está sendo verdadeiro. Foi assim que ao sintonizar os
noticiários de ontem à noite, em vários canais, a bisbilhotice me assaltou e
falou mais alto. De contrapeso, uma sensação “aporrinhativa” de medo, misturada
de terror, e ao desengano, atrelada ainda a um mal estar súbito e funéreo,
chegou dando notícias de que o câncer havia “pegado” e se alastrado em
brazzzilia e, por conta, um bando de imbecilizados com a mente de ameba
paralítica estava comemorando a chegada do infame que subirá ao poder enfeiando
(eu iria mais longe e mudaria o rumo. Trocaria por enfeitando a rampa de um
palácio desde muito entregue aos ratos e as cobras que por lá faz muito tempo,
abundam as bundas e as bandas do poder). Os temas em discussão pelos âncoras,
se emolduravam na perplexidade de alguns e na infelicidade “assombrativa” de
outros.
A ausência de um conteúdo sério
tinha a esfinge daquele “trocinho” medíocre e empobrecido chamado “inépcia”
que, aliada à “pobreza vernacular”, sempre teve por condão assustar os menos
desavisados, além de remeter o telespectador (ou os manés de sindicato e
carteirinha), notadamente os menos, ou (as criaturas “menas”) desavisadas ou os metido a serem os
tais, a experimentarem um grande vazio, ou dito de forma mais
abrangente, uma espécie expansiva e vasta ou pior, encompridada e pançuda de um
vazio chocho, frívolo, e nugativo institucional. Um punhado de droga que deixou no ar uma
sensação de desconforto, sim, de desconforto, em que lastimar o presente é tão
grande e enorme, quanto à apreensão nublada com o futuro. O futuro, aliás, o
futuro se fu... se fornicou, se prostituiu, se manchou com o sangue dos
inocentes dos desvalidos e empobrecidos. Nesse tom fora de tom, a razão
política do poder e o que essa desgraça exerce em nome de uma sociedade
truncada, carente, de uma sociedade apostatada, morta, esfacelada e desfarelada
(grosso modo, pela metade), sem falar, mas já o fazendo, em uma agremiação as
moscas varejeiras, manietada e aleijada de pai e mãe.
Há em seu bojo, um monte de rombudos
fossos (acreditem), buracos maiores que os desvios das granas dos aposentados
do INSS, um outro “mais maior” ainda que o da saúde pública, e do suntuoso
banco Master, esse “enxudreiro” travestido de chavascal, tendo aos seus
“cuidados” aquele vagabundo conhecido como Vorcaro. Há também, de lambuja, um fosso em que o
Estado, a Nação e o Direito (Direito esquerdo e truncado) são por conta, meros
vocábulos. Apenas desinências sem ressonância em discursos e apartes insípidos,
derreados, escavados e solapados, incoerentes e beócios, insubstanciais. Muito
se fala e muitos têm refletido sobre a crise por que passa o derreado e
adormecido Estado brasileiro. O problema é planetariamente majestoso, mas,
entre nós, assume características sérias e graves. A própria insolvência da
democracia (ou dos escombros que restou dela). Em paralelo, a velocidade com
que o brazzzil (grafado assim mesmo) como nação falida, se fragiliza política e
culturalmente, seja pela situação socioeconômica, seja pela má gestão dos
picaretas que estão com o rabo nas cadeiras do poder, seja a desproteção à moral carcomida pelos vermes
e à ética públicas, o povo sem eira nem beira, sem porto seguro, sem bússola,
fica à deriva, e o país, à mercê dos saltimbancos ungidos pelas falsas
promessas das urinas (perdão das urnas).