sexta-feira, 30 de outubro de 2026

[Aparecido rasga o verbo] O gato amedrontado da tia Ana Clara

Aparecido Raimundo de Souza

NAQUELA RUA repletada de ambos os lados por árvores frondosas e centenárias, se via uma infinidade de belas e aconchegantes mansões de tirar o fôlego. Eram residências de três andares as janelas sempre fechadas, cercada por muros baixos, que nem se fazia preciso ultrapassar os portões para ingressar em seus limites. Quase no final dessa rua, havia uma casa diferente, (a única de um só pavimento) e todos os moradores tinham em conta a sua fascinante e meiga proprietária, a bela e simpaticíssima jovem Ana Clara que todos daquela vila calma e pacífica conheciam como a Tia Clara. Essa figura bondosa e carismática, de sorriso doce, os cabelos sempre soltos que lhe caíam cobrindo parte das costas, vivia pelas redondezas distribuindo sorrisos, balas e conselhos às crianças da comunidade. Havia, apesar disso, uma coisa que intrigava a todos: aquela moradia espaçosa e acolhedora, tinha um amontoado de janelas que davam, sem tirar nem pôr, para um jardim cheio flores bem cultivadas, entre elas, de uma porção de rosas as mais variadas cores. A boa senhorita, que de segunda a sexta lecionava na escola para as crianças e adolescentes radicados da redondeza, morava sozinha, ou melhor, residia apenas ela e um simples gato. Um gato, diga-se de passagem, estranho e antissocial.

Desde que chegara, fora batizado como Natal, tendo em vista que se fez presente dois ou três anos atrás exatamente nesse dia. Mas ele não parecia nada feliz. Era um gato bonito, de pelagem cinza e olhos grandes e brilhantes. Entretanto, bastava, alguém se aproximar, ouvir um som mais alto, uma porta batendo, um carro passando mais depressa na rua de terra batida, e lá ia ele: se escondia amedrontado debaixo da cama, atrás das cortinas, por vezes dentro de um armário aberto, ou em qualquer canto escuro e apertado onde sentisse que ninguém o encontraria. Apesar da tia Ana Clara se dar maravilhosamente bem com os arraigados, alguns sem noção cochichavam entre si:

—  Que gato mais esquisito.  O bicho não sai, não brinca, não chega perto de ninguém…

E a tia Ana Clara, sempre que alguém lhe vinha visitar com o intuito de tomar um café e comer um pedaço de bolo de chocolate que tão bem fazia, ou apenas trocar algumas palavras, ela, com aquele sorriso calmo, para com todos que questionavam, respondia:

— Deixa ele. O coitadinho é como um bicho do mato. Ele só levou uns sustos grandes antes de chegar até aqui. A gente não vê, mas o coração dele ainda tá tremendo igualzinho o de uma criança que ouve uma história de noite e não consegue conciliar o sono...

Ninguém sabia, mas Natal tinha sido encontrado na chuva, ainda bem pequenininho. Fora abandonado numa caixa de sapatos perto da estação da estrada de ferro que cortava o vilarejo. Deve ter ouvido gritos, visto ou se deparado com eventos que nenhum bichinho deveria ver. E desde então, o mundo lhe parecia um lugar enorme demais, barulhento em demasia e perigosamente assustador para a sua fragilidade de animal largado aos reveses da vida ingrata.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Ser Português


“Esta é a ditosa Pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros,
E nela estão os íncolas primeiros.”

Camões. Lusíadas, III, 21

João José Brandão Ferreira 

Ninguém escolhe ser Português. É um acaso do Cosmos ou um ato da Providência Divina. Simplesmente tem-se essa honra…

Mas “sendo nós portugueses”, nas palavras de Pessoa, “convém saber o que é que somos”.

Ser Português é ter “um berço estreito para nascer e um mundo inteiro para morrer”, como disse o Padre António Vieira.

É só saber (sentir) verdadeiramente o que é, depois de sair de Portugal…

Ser Português é ter saudades do futuro! Mesmo sem lhe apetecer construir o presente.

Ninguém pode entender isto sem ser Português. Ele próprio não o quer entender, pois raramente percebe o presente como suficientemente motivador para se empenhar…

Não sabe viver sem sonho e sem glória e carece de entender que está a desempenhar um papel importante. Sem isso apenas a conservação da existência o impele…

Passa até, a ser muito mais Português, lá fora, quando emigra. Nem gosta de dar parte de fraco.

O Português vive na lembrança de uma grandeza que lhe percorre o subconsciente, mas faltando-lhe arrimo para, novamente, a conquistar. É um carácter algo paradoxal que acompanha os altos e baixos da História Pátria.

Prosaicamente ser português continua a ser gostar de bacalhau, sardinhas assadas e couratos; matar o porco em janeiro e aproveitar tudo; ter como desporto favorito ir almoçar fora ao domingo, com a família, resolvendo os problemas nacionais nos almoços dos restantes dias. É arranjar conversas e arrufos intermináveis, por causa do futebol e valorizar mais a “esperteza saloia” do que o mérito; afinal há sempre um “conhecimento” a quem deitar mão, uma recomendação, um empenho…

Leiam e tirem suas conclusões. 👇

“Alexandre de Moraes nem deveria estar mais no Supremo Tribunal Federal (STF); estando, deveria abster-se de relatar a investigação sobre Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, com quem acumula anos de confrontos; sendo o relator, não deveria ter agido com a imprudência com que agiu ao mandar apreender os passaportes de Flávio na noite de sua derrota eleitoral.

Intimado, Flávio prometeu entregar os documentos. No dia seguinte, escapou para os Estados Unidos. Descumpriu a ordem e merece censura. Também tem de prestar contas à Justiça pelas graves suspeitas de crimes financeiros que pesam contra ele. Nada disso torna a decisão de Moraes correta ou prudente.

A polícia assinou o pedido às 21h16 de domingo, sete minutos depois da confirmação da vitória de Lula. Ato contínuo, Moraes o acolheu. A investigação vinha de antes, mas a sensibilidade do momento exigia prudência redobrada. O ministro deveria ter cobrado indícios pessoais mais sólidos, ouvido a Procuradoria-Geral da República (PGR) e, no limite, submetido a questão aos colegas de Supremo. Eram cuidados exigíveis de quem tinha razões de sobra para proteger a legitimidade de sua decisão contra qualquer suspeita de perseguição política.

A fuga de Flávio não parece improvisada e dá força à hipótese de risco. Mas os fatos de terça-feira não alteram as provas disponíveis ao juiz no domingo. Uma cautelar se julga pelos fundamentos existentes quando foi tomada. A apreensão preventiva de passaportes viraria rotina, se os argumentos usados contra Flávio fossem aplicados a outros suspeitos como ele. A liberdade de viajar não pode depender de uma impressão subjetiva sobre o que alguém talvez faça.

[Aparecido rasga o verbo – Extra] Vivemos um futuro incerto num amanhã sem talvez

Aparecido Raimundo de Souza

SOMOS, OU MELHOR, estamos todos ávidos e curiosos, com certeza. Uns para mais, outros para menos. Quem disser o contrário, não está sendo verdadeiro. Foi assim que ao sintonizar os noticiários de ontem à noite, em vários canais, a bisbilhotice me assaltou e falou mais alto. De contrapeso, uma sensação “aporrinhativa” de medo, misturada de terror, e ao desengano, atrelada ainda a um mal estar súbito e funéreo, chegou dando notícias de que o câncer havia “pegado” e se alastrado em brazzzilia e, por conta, um bando de imbecilizados com a mente de ameba paralítica estava comemorando a chegada do infame que subirá ao poder enfeiando (eu iria mais longe e mudaria o rumo. Trocaria por enfeitando a rampa de um palácio desde muito entregue aos ratos e as cobras que por lá faz muito tempo, abundam as bundas e as bandas do poder). Os temas em discussão pelos âncoras, se emolduravam na perplexidade de alguns e na infelicidade “assombrativa” de outros.

A ausência de um conteúdo sério tinha a esfinge daquele “trocinho” medíocre e empobrecido chamado “inépcia” que, aliada à “pobreza vernacular”, sempre teve por condão assustar os menos desavisados, além de remeter o telespectador (ou os manés de sindicato e carteirinha), notadamente os menos, ou (as criaturas “menas”)  desavisadas ou os metido a serem os tais,  a experimentarem  um grande vazio, ou dito de forma mais abrangente, uma espécie expansiva e vasta ou pior, encompridada e pançuda de um vazio chocho, frívolo, e nugativo institucional.  Um punhado de droga que deixou no ar uma sensação de desconforto, sim, de desconforto, em que lastimar o presente é tão grande e enorme, quanto à apreensão nublada com o futuro. O futuro, aliás, o futuro se fu... se fornicou, se prostituiu, se manchou com o sangue dos inocentes dos desvalidos e empobrecidos. Nesse tom fora de tom, a razão política do poder e o que essa desgraça exerce em nome de uma sociedade truncada, carente, de uma sociedade apostatada, morta, esfacelada e desfarelada (grosso modo, pela metade), sem falar, mas já o fazendo, em uma agremiação as moscas varejeiras, manietada e aleijada de pai e mãe.

Há em seu bojo, um monte de rombudos fossos (acreditem), buracos maiores que os desvios das granas dos aposentados do INSS, um outro “mais maior” ainda que o da saúde pública, e do suntuoso banco Master, esse “enxudreiro” travestido de chavascal, tendo aos seus “cuidados” aquele vagabundo conhecido como Vorcaro.  Há também, de lambuja, um fosso em que o Estado, a Nação e o Direito (Direito esquerdo e truncado) são por conta, meros vocábulos. Apenas desinências sem ressonância em discursos e apartes insípidos, derreados, escavados e solapados, incoerentes e beócios, insubstanciais. Muito se fala e muitos têm refletido sobre a crise por que passa o derreado e adormecido Estado brasileiro. O problema é planetariamente majestoso, mas, entre nós, assume características sérias e graves. A própria insolvência da democracia (ou dos escombros que restou dela). Em paralelo, a velocidade com que o brazzzil (grafado assim mesmo) como nação falida, se fragiliza política e culturalmente, seja pela situação socioeconômica, seja pela má gestão dos picaretas que estão com o rabo nas cadeiras do poder, seja  a desproteção à moral carcomida pelos vermes e à ética públicas, o povo sem eira nem beira, sem porto seguro, sem bússola, fica à deriva, e o país, à mercê dos saltimbancos ungidos pelas falsas promessas das urinas (perdão das urnas).

Você sabia?


"Não esquecemos do Gilmarpalooza, Tarcísio"

Jacqueline Martins

Não esquecemos do Gilmarpalooza, Tarcísio, nem de como suas relações com ministros do STF sempre tiveram, na suposta agenda da “pacificação”, a NÃO RESPONSABILIZAÇÃO de magistrados por seus atos de corrupção e abuso de poder, que resultaram em dezenas de presos políticos, incluindo pessoas comuns e inocentes.

Entre eles, a maior liderança da direita Jair Messias Bolsonaro, que você Tarcísio, sempre que pode, elogia e honra com suas palavras.

Só não temos certeza se, NA PRÁTICA, os bastidores confirmam o discurso em público.

Fato é que quem está no poder, inclusive interferindo no pleito eleitoral de 2026, segue contando com uma rede de SERVIDORES PÚBLICOS, dentro e fora do TSE/STF, muito fiéis aos seus projetos de poder.

Nós sabemos que o resultado que levou Lula ao poder NOVAMENTE deveria ser outro. As probabilidades, as pesquisas, os números, a lógica, o advogado de Lula no STF e as duas horas gritam mais alto do que o resultado divulgado.

Vale registrar que o procurador-geral eleitoral do TSE, Alexandre Espinosa, instado a se manifestar sobre a extensão do horário, a pedido do PT, negou o pedido de forma fundamentada. É nos fundamentos apresentados por ele para negar o pedido que me apoio.

1. O horário previsto em lei deveria ser mantido. Para ele, as denúncias apresentadas não justificavam, por si só, a alteração do encerramento da votação, fixado para as 17h.

2. As irregularidades deveriam ser investigadas separadamente. Os problemas relatados no transporte público precisariam ser apurados, com responsabilização dos envolvidos caso fossem comprovadas infrações.

3. Poderia haver apuração de abuso de poder. O parecer ressalvou essa possibilidade se fossem demonstradas a gravidade dos fatos e sua REPERCUSSÃO SOBRE A LEGITIMIDADE DO PLEITO.

Ao povo brasileiro e à comunidade internacional

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Korybko To The Telegraph: A Compromise Between European NATO & Russia Is Inevitable

Andrew Korybko 

There’s little chance that Russia will agree to military-strategic compromises as part of a US-brokered grand deal with E-NATO, despite the promising economic opportunities that this could unlock, unless E-NATO reciprocates

The Telegraph published a piece in late October citing unnamed diplomatic sources to report that “Russia hopes to weaken Nato with Ukraine peace talks”. They expect that “Putin will probably demand that Nato’s footprint in Europe be reduced to its 1997 level, before former Eastern bloc countries began joining the alliance”, per his security guarantee requests from late 2021. This prediction is premised on his top aide Yury Ushakov announcing that Russia now wants Europe to participate in the peace process.

According to The Telegraph, “That would mean a potential withdrawal of Nato troops from Poland, Estonia, Latvia and Lithuania, as well as Finland, which joined the alliance in 2023.” That’s not exactly true, technically speaking, since Russia called for a return to the continental military-strategic status quo from the date when the NATO-Russian Founding Act was signed in 1997. What that would mean in practice is the withdrawal of pre-1997 NATO members’ troops from new members’ territories.

Meanwhile, post-1997 NATO members’ forces could still hypothetically deploy to one another’s territories, which is significant in light of Poland now commanding European NATO’s (E-NATO) largest army and the de facto Swedish-led Viking Bloc rapidly militarizing in parallel. Sweden’s deployment of air and naval forces to help patrol Finland’s borders with Russia together with its deployment of air and air defense ones to Poland testifies to the strength of their military-strategic partnership in the Baltic Sea.

As was assessed here, it could even lay the basis for their joint military patronage over the Eastern Baltic as the core of NATO 3.0, which refers to the Europeans leading NATO’s containment of Russia while the US “Pivots (back) to (East) Asia” for more robustly containing China. The Intermarium, which refers to the states between Germany and Russia, is expected to play the most prominent role therein. Poland and Sweden are its heavyweights, so it naturally follows that they’d jointly lead its containment of Russia.

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Brésil : le sacre et la succession

 Fundji Benedict

Arrivé second au premier tour, Lula a fini par remporter un quatrième mandat. Entre la liesse des uns, les larmes et la colère des autres, qu’est-ce qui, d’un chef, peut survivre à son corps ?


Dès l’après-midi de dimanche dernier, un camion de sonorisation stationnait devant le Musée national de la République, au cœur de Brasília où les partisans de Flávio Bolsonaro étaient conviés à célébrer une victoire que les urnes n’avaient pas encore dévoilée. À Fortaleza, sur la place Portugal, un écran géant attendait les militants du Parti libéral, qui ont crié de joie lorsque leur candidat est passé en tête. L’avance a tenu une quarantaine de minutes, puis le dépouillement des urnes de Bahia, du Pernambouc et du Ceará a retourné le résultat de l’élection. Peu après 21 heures, le Tribunal supérieur électoral déclarait Luiz Inácio Lula da Silva vainqueur avec 51,78 % des suffrages exprimés, soit 64,2 millions de voix.

Personne, depuis le rétablissement de l’élection directe en 1989, n’avait conquis la présidence après avoir terminé deuxième au premier tour. Le 4 octobre, Flávio devançait Lula de 2,2 millions de voix. Il y a trois semaines, j’écrivais que Lula devait aller chercher près de six millions de voix et que rien ne lui était impossible. Le soir du premier tour, il s’était dit très bon dans le mata-mata : sa bravade résumait trois défaites présidentielles, 580 jours de prison à Curitiba, une condamnation annulée et un retour au pouvoir. L’ancien métallo, qui aura quatre-vingt-un ans ce mardi, devient le seul Brésilien élu quatre fois à la tête de l’État. 

Sa victoire, Lula la doit aux électeurs du Nordeste, lui qui est né en 1945 dans l’agreste du Pernambouc, près de Garanhuns. Il avait sept ans lorsque sa mère, Dona Lindu, a pris la route de São Paulo, avec tous ses enfants, à l’arrière d’un pau-de-arara, l’un de ces camions de fortune qui emportaient les migrants de la sécheresse vers le Sud industriel. Avant-hier, la région de son enfance l’a fait remonter dans le comptage des voix, urne après urne. Sa campagne s’était tournée vers les quelque trente millions d’abstentionnistes du premier tour : l’abstention est tombée à 19,2 %, son niveau le plus bas depuis 2006. Les femmes ont été son premier appui. Logique puisque le Bolsa Família leur est versé en priorité depuis vingt ans : dans des millions de foyers, l’État c’est une carte bancaire au nom de la mère. 

Je n’ai jamais soutenu Lula et je ne le soutiens pas davantage aujourd’hui. J’avais affirmé, au soir du premier tour, que personne ne vote pour celui qui lui accorde ce à quoi il a droit, puisque le droit a remplacé le padrinho. S’il est vrai qu’un droit peut susciter de la reconnaissance sans créer de dette envers celui qui le garantit, la crainte de le perdre peut mobiliser et l’on peut aussi voter pour le gouvernement que l’on juge le plus apte à garantir ce que l’on tient pour légitime. 

"De Pinochet a Fidel”

André Villas-Boas assina o editorial da revista Dragões


Caros Portistas,

Outubro teve uma noite que nos mostrou, uma vez mais, a dimensão do FC Porto. Nos Dragões de Ouro, celebrámos muitos dos nossos campeões e distinguimos quem fez da época passada uma memória inesquecível. Diogo Costa (Atleta do Ano), Victor Froholdt (Futebolista do Ano), a equipa de futebol (Equipa do Ano) e Francesco Farioli (Treinador do Ano) receberam o reconhecimento de uma família que souberam unir e orgulhar. Claro está que o destaque do futebol não fez esquecer as restantes áreas: a renovação do Dragão e a Tétris, distinguida como Parceiro do Ano; o campeonato de basquetebol e a homenagem sentida ao Pedro Machado; a quarta Liga dos Campeões de hóquei em patins, representada no Dragão de Ouro de Gonçalo Alves; e a nossa extraordinária Carla Oliveira, que continua a amealhar vitórias e a espalhar sorrisos ao serviço do Clube. Com a atribuição do Dragão de Ouro de Atleta Revelação a Mateus Mide, reconhecemos o pleno histórico da formação e os miúdos que queremos ver escrever o nosso futuro.

Foi também uma noite de regresso às Antas, através das memórias que Cubillas e Futre transportam. Há jogadores que não ficam apenas nos registos: ficam nas tardes da nossa infância, nos abraços com os nossos familiares e amigos e na forma como aprendemos a amar o Futebol Clube do Porto. Honrámos também quem nos trouxe até aqui, com António Nicolau d’Almeida, o nosso fundador, a ser distinguido a título póstumo com o Dragão de Honra. O seu nome recorda-nos onde tudo começou e a responsabilidade de continuar uma História que atravessa gerações. A todos os Dragonados, aos presentes e às equipas que prepararam esta gala magnífica, o nosso agradecimento. Cada prémio tem por trás muitas pessoas que trabalham longe dos aplausos.

No campeonato, nove vitórias em nove jornadas confirmam um percurso notável. Farioli já conquistou o seu lugar na História dos treinadores do FC Porto, mas é sobretudo no futuro que estamos concentrados. O seu mérito está na qualidade do trabalho, na exigência diária e na capacidade de fazer todos compreenderem o peso da Instituição. Os jogadores acreditam no treinador, no método e uns nos outros, e essa confiança tem de continuar acompanhada por disciplina e humildade. Estamos orgulhosos deste arranque, mas o campeonato está longe de terminar e o compromisso com a vitória exige-nos a mesma união quando ganhamos e quando surgem dificuldades.

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[Quadro da Quarta] O Despertar

Eva Gonzalès, 1877 

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Um funeral em Ornans 
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terça-feira, 27 de outubro de 2026

[Livros & Leituras] O Pequeno Príncipe

Antoine de Saint-Exupéry, Editora AGIR, Brasil, 1956, 94 páginas.

Le Petit Prince (prt: O Principezinho; bra: O Pequeno Príncipe) é uma novela do escritor, aviador, aristocrata, francês Antoine de Saint-Exupéry, originalmente publicada em inglês e francês em abril de 1943 nos Estados Unidos. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry foi exilado para a América do Norte. Em meio a turbulências pessoais e sua saúde falhando, ele produziu quase metade das obras no qual ele seria lembrado, incluindo o conto de solidão, amizade, amor e perda, em forma de um jovem príncipe que caiu na Terra. Um livro de memórias feito pelo autor que contava suas experiências de aviação no deserto do Saara, e é pensado que ele usou estas experiências como base para a novela. 

Em abril de 1943, Saint-Exupéry deixou os Estados Unidos para combater as tropas nazis e deu o manuscrito à sua companheira, a jornalista Sylvia Hamilton, que o vendeu à Morgan Library & Museum de Nova Iorque 25 anos depois. 

Se trata de uma das obras literárias mais traduzidas no mundo, tendo sido publicado em mais de 220 idiomas e dialetos.

O autor do livro foi também autor das ilustrações originais.

A sensação de impotência


Há momentos em que o silêncio não significa concordância.

Significa cansaço.

Um cansaço que não vem do corpo, mas da alma. Das notícias que nos deixam perplexos, das perguntas sem respostas e da impressão de que nossas vozes já não são ouvidas.

É a sensação de impotência.

Aquela que nos invade quando percebemos que, apesar de nossos esforços, o país parece seguir por caminhos que não escolhemos.

Votamos. Participamos. Defendemos nossas convicções. Acreditamos que a cidadania pode influenciar os destinos de uma nação.

E, de repente, surge uma pergunta desconcertante.

De que adianta?

É uma pergunta perigosa.

Porque uma democracia não se enfraquece apenas quando suas instituições falham. Também perde vitalidade quando seus cidadãos deixam de acreditar na possibilidade de transformá-la.

Há uma diferença entre perder uma eleição e perder a esperança.

A primeira faz parte da democracia. A segunda compromete seu futuro.

Não podemos exigir que a realidade corresponda sempre às nossas expectativas, mas temos o direito de questionar, discordar, fiscalizar e exigir explicações.

Esse direito não pertence aos vencedores nem aos vencidos.

Era expectável: Le Pen amplia vantagem nas sondagens presidenciais enquanto França mergulha no caos

Paulo Hasse Paixão

As sondagens mostram que Marine Le Pen consolidou a sua liderança na acesa corrida presidencial francesa do próximo ano, no contexto dos motins cada vez mais violentos e generalizados no país. 

Le Pen na liderança.

Segundo a Elabe, empresa francesa de sondagens de opinião, Marine Le Pen, líder do Rassemblement National (RN), lidera a corrida presidencial francesa de 2027, com 32% das intenções de voto. Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema-esquerda La France Insoumise, surge com 15,5%. O ex-primeiro-ministro francês Édouard Philippe, líder do Horizons, partido centrista-globalista alinhado com o estabelecimento francês, obtém não mais que 15,5% das preferências dos eleitores. Raphaël Glucksmann, líder do partido eurofederalista de centro-esquerda Place Publique, alcançou um apoio semelhante, com 15%.

Na mesma sondagem, Bruno Retailleau, líder do partido Republicans, de direita tradicional, recebeu 6,5% dos votos. David Lisnard, presidente da Câmara de Cannes, cidade na costa sudeste de França, e líder do partido liberal Nouvelle Énergie, obteve 5,5%. Éric Zemmour, cujo partido Reconquête desafia Le Pen pela direita, não vai além dos 3%.

A sondagem foi realizada entre 14 e 16 de Outubro, no meio dos protestos em curso em França, mas antes da significativa escalada de violência de dia18, que assistiu ao incêndio da sede da câmara municipal de Limoges. 

Tendências passadas e futuras.

O sistema presidencial francês utiliza um concurso eleitoral de dois turnos. Na primeira volta, podem concorrer todos os candidatos de todos os partidos. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos na primeira volta, os dois candidatos mais votados avançam para a segunda volta, num confronto direto.De acordo com várias sondagens realizadas ao longo do ano, Le Pen está projetada para vencer a primeira volta, mas sem chegar aos 50% dos votos. No entanto, também é previsível que vença a segunda volta, independentemente de quem seja o seu adversário.

Cristiano Ronaldo está na pré-lista de Portugal para próxima Data Fifa

Seleção lusitana irá encarar Dinamarca e País de Gales nos próximos dias 14 e 17; presença do camisa 7 nos jogos ainda não é certa 

Foto: Patrícia de Mello Moreira/AFP

Pedro Logato

O atacante Cristiano Ronaldo, de 42 anos, pode voltar à seleção portuguesa na próxima Data Fifa. De acordo com informações da imprensa portuguesa, o nome do ídolo do Real Madrid está na pré-lista de Jorge Jesus para os próximos desafios da Liga das Nações, no próximo mês. Portugal enfrenta Dinamarca e País de Gales, nos próximos dias 14 e 17.

A federação portuguesa deseja que Cristiano Ronaldo esteja de volta nesta lista. Porém, os dirigentes terão que intermediar o conflito entre o camisa 7 e o técnico Jorge Jesus. No último dia 10, o presidente da Federação de Portugal, Pedro Proença, abordou a situação.

"Este é o momento da tranquilidade, da serenidade. Há uma grande vontade de termos o nosso capitão de volta. Haverá um processo disciplinar normal. As instâncias de forma independente irão avaliar. O que registamos neste momento é uma vontade, primeiro da FPF de ter o capitão rapidamente conosco, uma vontade já expressa do nosso selecionador nacional, que disse que desde que desportivamente esteja em condições teremos o nosso capitão conosco e algo fundamental: uma grande vontade de o nosso capitão voltar à seleção, espaço onde ele se diz, e muito bem, feliz", afirmou o dirigente em contato com repórteres durante um evento em Portugal.

[Livros & Leituras] Valeurs Actuelles – Nouvelle formule

Nº 4690, du 15  au 21 octobre 2026

Honramos sua memória!