Aparecido Raimundo de Souza
O VALADÃO GUTIEREZ me mandou uma carta registrada para minha
residência, carta essa chegada três dias atrás. Nela me conta as novidades mais
recentes de sua vida. Fazia tempo (aliás, muitos anos) não recebia nada desse
amigo paulista de São José dos Campos, radicado no Rio de Janeiro e agora, para
meu espanto, residindo na Capital do Brasil. Quem diria! Achei tivesse
esquecido de mim, ou perdido o endereço e telefone. Com a chegada dessa missiva
inesperada, todavia, caiu por terra o pensamento de que fosse permanecer em
silêncio por alguns janeiros mais, sem dar sinais de estar vivo e com saúde.
Mas vamos às novas peripécias do prezado Valadão:
“Amigo Aparecido — começa ele. Da última vez em que nos falamos,
pretendia ser candidato à deputado federal em segundo mandato pelo Podemos, (só
que por lá, apesar de dois mandatos, eu não podia nada), a Renata Fedeu vivia
me tolhendo os passos. Então me filiei ao PT o (Partido dos Trambiqueiros), o
mesmo cabide de emprego do nosso presidiariodente, o Mula. Com a ajuda dele e
agora também do Lulinha, vai ser moleza. Se ganhar, e sei que vou, acho que já
havia falado contigo, em outros tempos, minha intenção, não outra, é a de
continuar mamando nas tetas do governo, almoçar todo dia ao lado da Primeira
Cama, a Canja de Galinha, comprar uma mansão para minha velha mãe em
Alphaville”.
“Na mesma pancada — segue o Valadão —, também providenciarei uma
propriedade para a mana Júlia, defronte à residência do Fábio Jr (você deve se
recordar, de como a Júlia adora as músicas do Fábio Júnior, principalmente
aquela do “Pai Herói”, que continua resgatando, até hoje, momentos de nosso
falecido, dos tempos em que ele era vivo. Que Deus o tenha!). E, de contrapeso, uma fazendinha para a Rúbia
(lembra dela?) em Brotas ou Botucatu, entre outras cositas...”.
Vou interromper a carta de Valadão Gutierez e abrir um pequeno
parêntese para discorrer rapidamente sobre a Rúbia. (Logo que conheci o
Valadão, veio de roldão, a Rúbia. Tivemos um caso relâmpago (exatamente cinco
anos e meio) que acabou na maternidade. Foram dois filhos e quatro pedidos de
pensão de alimentos na justiça. Parei na
cadeia duas vezes, fugi da delegacia umas seis, e, ainda tenho dois oficiais
com mandados de citação para serem cumpridos nos meus calcanhares. Pois bem.
Fechando parêntese e voltando ao Valadão e as suas estupendas linhas.
“Queria lutar — diz enfático na sequência de sua missiva, o Valadão
Gutierez. Enquanto estive no Podemos, fundei uma ONG. Meu objetivo é seguir
pelejando tenazmente para acabar com os mendigos, das largadas à sorte, mandar
para os quintos os pobres e necessitados, bem ainda extirpar, de vez, com as
prostitutas. Encontrei a solução ideal para essa gama de probleminhas que
denigrem e enfeiam a imagem do País. Por exemplo, só para você ter uma rápida
noção do meu cronograma de trabalho, almejo elaborar uma lei onde os mendigos,
os pedintes de ruas e esquinas morrerão enforcados, com toda honra e dignidade,
em praça pública. Exportarei para os Estados Unidos, em forma de adoção, as
crianças desamparadas”.