Aparecido Raimundo de Souza
“Os idiotas vão tomar conta do mundo: não pela capacidade, mas pela quantidade“.
Nelson Rodrigues
O BIG BROTHER BRASIL siglado como “BBB” não é só um execrado e
repulsivo fenômeno televisivo que, ano após ano, mobiliza milhões de
espectadores, a maior parte deles, senhoras e senhores de cabeças vazias, ocas,
frívolas e fúteis ou mais precisamente de uma imensa e descomedida junta de
desocupados sem futuro, tipo uma turma de fantasmas errantes cada vez mais
obesa, bem ainda de imbecilizados e desocupados sem a visão benfazeja de um
amanhã melhor.
Essa merda do BBB leva para o ar, a níveis estratosféricos, debates
acalorados nas redes sociais e se transforma, por incrível que pareça, em pauta
de abrangência nacional. No entanto, pelas coxias e por detrás do “suposto
espetáculo”, há questões que merecem uma análise crítica mais profunda. O
programa se sustenta na lógica da vigilância: transformar a vida cotidiana em
entretenimento.
A casa-prostíbulo do BBB é uma espécie de latrina-laboratório para
malucos e pirados, pessoas com merda na cabeça; criaturas sem visão social onde
conflitos; alianças e romances são amplificados para prender a atenção dos
embasbacados e desnorteados da cachola. Essa exposição pra lá de extrema,
levanta dilemas éticos à sanha de desvirtuar os mais jovens, ou melhor dito, de
desincorporar à força do nosso convívio, os jovens em formação levando-os, de
roldão, para um patamar infame e enegrecido.
Menoscabado, depreciado e raquítico, a ponto de não se saber, final das
contas, até que ponto é saudável transformar pessoas comuns, criaturas
destituídas de pudor e compostura em personagens de um jogo filho da puta, que
depende da manipulação emocional e da espetacularização da intimidade. O BBB é,
acima de tudo, um produto infame e sarcástico. Um produto (produto?!) conhecido
também como restos de imundícies, sujidades, entulhos ou lixos oriundos das
ruas largas dos quintos do inferno.
Toda a narrativa usada é imaginada para gerar engajamento e lucro,
dinheiro fácil para os mafiosos da Rede Globo, seja por meio de votações,
patrocínios ou publicidades. O público tolo e imaturo, é seduzido igualmente
pela ânsia fanática de participar, não só pela ideia de “se contagiar” ligando
para votar pelo destino dos participantes, mas, na prática, bem se sabe, a
edição e a produção moldam a percepção coletiva fazendo dos trouxas e
desocupados, dos sem noção e apatetados, uma espécie de lavagem cerebral
coletivamente severa.