segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Cuidado com o Lobo Mau: Universidade de Cambridge classifica o Capuchinho Vermelho como um "conteúdo para adultos," que "inclui temas de violência."

Paulo Hasse Paixão

A Universidade de Cambridge decidiu que até o Capuchinho Vermelho é demasiado perigoso para os frágeis cérebros e a sensibilidade susceptível dos jovens.


O Clare College emitiu um alerta oficial de conteúdos antes de um seminário online gratuito de humanidades para alunos do ensino secundário da rede pública britânica, sinalizando a história como integrando “conteúdos para adultos, incluindo temas de violência, com referência a contos de fadas”.

Contos de fadas para adultos? O Capuchinho Vermelho é um conto erótico?

O seminário, parte de um curso desenvolvido para preparar os alunos do ensino secundário para os estudos universitários, incentivou os participantes a “lerem para além da superfície” das histórias de ninar. As notas oficiais do curso advertem:

“Aviso de conteúdo: Note que esta sessão envolverá a discussão de algum conteúdo para adultos, incluindo temas de violência, com referência a contos de fadas.”

Na versão original da fábula de Charles Perrault, de 1697, o lobo come a avó e a menina. A versão posterior dos Irmãos Grimm mantém a tensão entre o lobo e as personagens humanas, mas permite que um caçador as salve. Certas adaptações modernas intensificaram ainda mais a atmosfera sombria.

Mas seja como for, este conto preenche a imaginação das crianças desde essa altura e ninguém vai ficar traumatizado com uma história deste género, fantasista e própria do imaginário infantil. Ainda assim, Cambridge tratou-a como um potencial evento traumático para os adolescentes.

Fauci censurou em 2021 reportagem da ABC sobre fugas do laboratório de Wuhan e recusa agora nova audiência no Congresso

Paulo Hasse Paixão 

No fim da semana passada ficámos a saber que Anthony Fauci se recusou a conceder uma entrevista transcrita, à porta fechada, a uma subcomissão do senado norte-americano. Na mesma semana, um antigo correspondente da ABC News revelou que a estação suprimiu uma investigação sobre a fuga de amostras num laboratório de Wuhan em 2021, depois de o guião ter sido enviado para Fauci para revisão

O padrão é inconfundível. Obstrução. Censura. Invocação de privilégio. Repetição.

Na sexta-feira, o advogado de Fauci notificou o Senador Ron Johnson (R-WI) de que o antigo diretor do NIAID não iria comparecer a uma entrevista transcrita, a realizar à porta fechada, no âmbito da investigação em curso sobre a resposta falhada do governo federal norte-americano à COVID-19.

Johnson, que já tinha divulgado as mensagens de texto em que Fauci revelava preocupações, que nunca tornou públicas, sobre abortos espontâneos provocados pelas vacinas mRNA contra a Covid-19, não gostou da recusa:

“O advogado do Dr. Fauci acaba de nos informar que ele se recusa a comparecer para uma entrevista privada transcrita. O povo americano merece respostas para perguntas legítimas sobre a nossa resposta desastrosa à COVID-19. Algumas dessas perguntas só podem ser respondidas pelo Dr. Fauci. Ele afirmou uma vez, com arrogância, que estava ‘muito feliz por testemunhar perante qualquer comissão de supervisão do Congresso’ e que não tinha nada a esconder. Aparentemente, tem muito a esconder. Uma vez que Fauci se recusa a falar sobre o seu papel e as suas decisões relacionadas com a COVID-19, a minha Subcomissão continuará a obter os seus registos e a solicitar o contacto com pessoas-chave com quem ele trabalhou.”

Isto acontece dias depois de a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado ter votado para considerar Fauci em desobediência ao Congresso pelo seu infame comportamento a 29 de Julho, quando numa audiência pública invocou a Quinta Emenda 112 vezes.

O advogado de Fauci respondeu ao pedido de Johnson alegando que qualquer tentativa de o obrigar a comparecer seria “assediar ou degradar indevidamente o Dr. Fauci para fins políticos”.

A manchete que não veio

Vandalismo na Embaixada americana, um preso e nenhum escândalo nacional. Imagine se fosse um grupo de direita...

Rogerio Pires

Era pouco depois do amanhecer de quinta-feira, 13 de agosto, no Setor de Embaixadas Sul. A hora em que Brasília ainda está fria e o Eixo Monumental parece grande demais para tão pouca gente. Um grupo chegou ao muro da representação diplomática dos Estados Unidos com tinta, faixas e fantasias. Havia gente de rosto pintado. Havia gente vestida de palhaço. Havia uma cartola de papelão imitando o Tio Sam.

Quando foram embora, o muro carregava uma frase em português e a mesma frase em inglês, escrita com um erro de ortografia: os Estados Unidos fazem guerra e lucram com a morte.

No chão ficaram ossos falsos, feitos de fita crepe. Uma faixa acusava a indústria bélica americana de produzir fome e destruição. E ficaram também as cinzas de uma bandeira estilizada dos Estados Unidos, decorada com caveiras e mísseis, ateada ali mesmo, no perímetro de uma missão diplomática estrangeira. A perícia registrou um princípio de incêndio já extinto.

Todos saíram antes da Polícia Militar chegar.

Quem assinou

Não houve mistério nem investigação penosa para descobrir a autoria. O próprio Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra assumiu o ato horas depois, em suas redes sociais, dizendo que a intervenção foi feita pela Juventude Sem Terra em conjunto com o Levante Popular da Juventude, contra o que chamam de indústria da guerra e de imperialismo americano.

O ato integrava a 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra e uma mobilização batizada de “Sejamos Todos como Fidel”, organizada por coletivos ligados ao MST, ao Levante e a outras frentes, em referência ao centenário de Fidel Castro, celebrado exatamente naquele 13 de agosto.

A Pragmatically Amended 1956 Compromise Could Speedily Resolve The Kuril Islands Issue

Andrew Korybko 

The amended 1956 compromise put forth in this piece would advance their interests and arguably also America’s as well but requires Russia to make the first move by informally floating this proposal

Putin’s first-ever visit to the Kuril Islands during his trip to Iturup was harshly condemned by Japanese Prime Minister Sanae Takaichi due to her country’s continued claims to that island and several others that Tokyo considers to be its “Northern Territories”. Kunashir, Shikotan, and the uninhabited Habomai Islands round out the rest of the Russian territory whose control is disputed in Northeast Asia. For background, the Yalta Agreement returned the Kuril Islands to the USSR, but Japan raised a technicality.

From its perspective, the abovementioned islands supposedly weren’t ever legally considered part of the Kuril Islands, but a 1949 State Department memo argued that aquaculture-rich Shikotan and the Habomai Islands are the only ones whose legal status under the Yalta Agreement might be debatable. Soviet–Japanese Joint Declaration of 1956 that restored their diplomatic relations included a compromise whereby Moscow agreed to transfer those two to Tokyo after they sign a peace treaty.

For reasons beyond the scope of this analysis to detail but which many on the Russian side suspect was due to American influence over Japan, their grand compromise fell apart, ergo why the dispute persists to this day with Tokyo claiming all four of the previously mentioned areas. Putin invested considerable time and effort into restoring the 1956 compromise so as to unlock more Japanese investment, open up more of its energy market to Russian exports, and preemptively avert Russian dependence on China.

These outcomes are also in Japan’s objective national interests, but the emotive nature of this dispute for some of the Japanese electorate impeded a resolution even under the late Prime Minister Shinzo Abe, who Putin considered to be a close friend and with whom he discussed this issue at length. “Putin Lamented The Worsening Of Russian-Japanese Relations” during his tour of the Russian Far East right before his trip to Iturup to signal that this is Moscow’s response to the trend that he blames on Tokyo.

Ai de ti, Copacabana

Marcelo Duarte Lins

Copacabana foi, durante décadas, o cartão-postal do Rio de Janeiro e do Brasil.

O Palace, os réveillons, a praia, os bares, a boemia, os grandes shows, os turistas, as celebridades.
E as multidões.
Sempre foi um palco.

Hoje voltei a ela.
Peguei o metrô na Barra. No vagão, o verde e o amarelo apareciam aqui e ali. Depois, mais densos. Gente mais velha, em sua maioria. Alguns muito velhos. Poucos jovens.


O inverno parecia ter esquecido de si mesmo. Vinte e quatro graus, céu parcialmente nublado, vento leste. O mar, agitado.

Na Avenida Atlântica, a cidade vestia Brasil.

No Posto 5, um carro de som atravessava a avenida, na esquina da Bolívar. De um lado e de outro, bandeiras. Um corredor de grades ligava o carro de som ao hotel Pestana.

Flávio Bolsonaro passaria por ali.
Havia polícia. Discursos. Músicas. Gente.
Muita gente.
Não sei quantas.

Hoje já não tenho tanta curiosidade pelos números.
Prefiro os rostos.
Eram rostos cansados.

Pedro Emanuel analisa postura ofensiva do Vasco e cita a base

Pedro Emanuel analisa atuação ofensiva do Vasco da Gama na derrota diante do Santos e fala sobre o uso da base

Aniele Lacerda

O Vasco sofreu uma dura derrota diante do Santos e perdeu a chance de deixar a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. No duelo direto, o time de Pedro Emanuel teve um bom volume ofensivo, mas faltou eficiência para balançar a rede. 

Foto: Pedro Cobalea/Lance

Com o resultado, o Gigante da Colina chegou ao terceiro jogo sem marcar gols, o que já ligou o sinal de alerta nos bastidores. Então, na entrevista coletiva, o comandante português analisou o comportamento da sua equipe diante dos paulistas.

– Normalmente, nós tendemos a analisar o jogo de uma forma geral, mais completa. E, até o momento em que sofremos o gol, estávamos claramente por cima no jogo. As alterações que eu faço são no sentido de injetar energia, de nos dar um pouco mais de profundidade, de podermos empurrar um pouco mais o Santos para trás, mesmo tendo criado logo no início duas ou três situações. Eu me lembro, assim de cabeça, do Tchê Tchê logo no início do segundo tempo, lembro do Robert com um cruzamento – disse Pedro Emanuel, que concluiu:

– Agora, não conseguimos ser eficazes. E isso, só com trabalho. E digo já: nem ontem achava que éramos a melhor equipe do mundo, nem hoje acho que somos a pior. Sabemos qual é o nosso caminho. Sabemos que temos esses tropeços duros, são muito duros, não vou mentir. Estou com o mesmo sentimento com que toda a nossa torcida saiu daqui do estádio. Acho que fizemos o suficiente, mas, no fim, esse resultado é penalizador demais. Mas é a realidade, e temos que seguir em frente.

Pedro Emanuel fala sobre a base

Diante dos problemas ofensivos, um dos assuntos abordados foi sobre o uso da base. Vale destacar que o Vasco não tem Brenner, que sofreu uma lesão no pé. Enquanto isso, David e Spinelli não tiveram atuações brilhantes na ausência do centroavante. Todavia, o técnico português pediu cautela quanto ao uso da base, justificando que não pretende queimar etapas.

[Sétima Arte] Jovem e Inocente

Young and Innocent ou The Girl Was Young (br.: Jovem e Inocente) é um filme de suspense britânico de 1937, dirigido por Alfred Hitchcock

O roteiro se baseia no livro de 1936, A Shilling for Candles, de Josephine Tey.

Destaque para a elaborada cena do salão do Grand Hotel, quando o paradeiro do verdadeiro assassino é revelado.

Sinopse

Christine Clay é uma famosa atriz que sofre com os ciúmes de seu ex-marido Guy que a acusa de manter um relacionamento com o jovem escritor Robert Tisdall. Na manhã seguinte, Christine aparece morta na praia e Robert a vê e corre para buscar ajuda. Quando a polícia chega, constata que a mulher fora asfixiada com um cinto achado ao lado do corpo e duas banhistas testemunham que viram Robert fugindo. 

Robert não aceita e escapa do tribunal, tentando provar que o cinto não era dele. A jovem filha do chefe de Polícia, Erica Burgoyne, acredita na inocência dele e o ajuda a fugir da perseguição policial em seu velho carro Morris, tornando-se suspeita de ser cúmplice de assassinato.

Aparição de Hitchcock

Como na maioria de seus filmes, Hitchcock faz uma aparição: ele pode ser visto do lado de fora do tribunal segurando uma câmera, aos 14 minutos do filme. Wikipédia

***

A famosa cena do travelling através do salão de dança do Grande Hotel é um dos exemplos mais instigantes dessa criação de uma linguagem própria de suspense. Partindo de um grande campo (a câmera está no teto do salão), onde vemos pessoas dançando e uma banda ao fundo da tela, a câmera faz o seu trajeto, diminuindo o campo de visão e detalhando melhor os rostos dos dançantes. Em seguida, a lente foca nos músicos, e por fim, no baterista, que em um primeiro plano, quase como uma confissão para o espectador, revela o seu tique, o mesmo que havia apresentado desde a primeiríssima cena. Crítica: Jovem e Inocente 

domingo, 16 de agosto de 2026

Ato inaugural da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil, Copacabana, 16-8-2026

Costa contre ENEL

Ghislain Benhessa

6 décembre 1962. L’Italie nationalise la production et la distribuition d’électricité. Pour ce faire, le gouvernement met sur pied l’organisme public ENEL, qui absorbe diverses entreprises privées du secteur.

Flaminio Costa, actionnaire d’une de ces sociétés, y laisse des plumes vu qu’il perd ses dividendes. En guise de protestarion, il refuse de payer la première facture envoyée para ENEL: 1 926 lires, soit 28 euros aujourd’hui. Une somme ridicule, mais suffisante pour propulser l’affaire devant le tribunal de Milan. Et déclencher une tempête.

Car três vite surgit la question qui tue: cette nationalisation respecte-t-elle le traité de Rome et son principe de libre circulation? Rebelote par rapport à Van Gend en Loos: vu que le dossier Touche l’Europe, le juge italien est contraint de saisir ll Cour de Justice de Luxembourg.

Le 15 juillet 1964, ele rend son veredict. Et y glisse cette tirade à la fois interminable, tortueuse et capitale: “Cette intégration, au droit de chaque pays membre, de dispositions que proviennent de sources communautaires et plus généralement les termes et l’esprit du traité, ont pour corollaire l’impossibilité pour les États de faire prévaloir, contre un ordre juridique accepté par eux sur une base de réciprocité, une mesure unilatérale ultérieure que ne saurait ainsi lui être opposable.”

Et les juges de porsuivre: “Le droit né du traité ne pourrait donc, en raison de sa nature spécifique originale, se voir judiciairement opposer un texte interne quel qu’il soit, sans perdre son caractere communautaire et sans que soit  mise en cause la base juridique de la Communauté ele-même.”

En deux phrases à peine, l’univers bascule. Notre héritage, bâti sur la puissance des États, la souverraineté du peuple, l’expression de la volonté générale source de la loi, est happé par le trou noir des juges.

Car dernière leurs formules alambiquées, ponctuées de virgules éclatées et d’incises à tiroirs, le message est limpide. Le droit européen se fond dans le droit interne, c’est-à-dire dans les règles nationales.

Vous vouliez de l’Europe?

Aberta a temporada de caça ao voto

As campanhas eleitorais, que deveriam propor alternativas e discutir o futuro, acabaram se reduzindo, no Brasil, a um acerto de contas com o passado

Nuno Vasconcellos 

Quem se habituou a olhar a política brasileira como um poço de defeitos terá, a partir de hoje, motivos para se sentir ainda mais desanimado. Embora as candidaturas já estejam nas ruas desde o ano passado, foi dada a largada oficial da campanha para as eleições deste ano. De agora em diante, os candidatos poderão deixar de lado a linguagem cifrada que utilizaram até aqui e se dirigir sem subterfúgios ao eleitor para pedir o voto.

Antes de prosseguir, é preciso deixar claro um aspecto fundamental. A campanha eleitoral é extremamente importante e, por essa razão, deve ser acompanhada com lupa. Não existe democracia sem eleição, da mesma forma que não existe eleição sem campanha. Esta é, portanto, uma hora decisiva, em que os políticos fazem de tudo para conquistar a confiança e o voto do eleitor. O momento em que precisam deixar claro não apenas o que têm a oferecer à sociedade, mas, também, aquilo que os diferencia dos adversários. Até aqui, tudo bem.

A HORA DA “DESCONSTRUÇÃO”

O problema é que, a cada campanha, o debate no Brasil tem se reduzido a uma troca de acusações permanente — em que as narrativas se mostram mais importantes do que os fatos. As campanhas no Brasil têm sido marcadas por situações em que as propostas políticas muitas vezes são mantidas ocultas atrás das estratégias de marketing. E, muitas vezes, adotam estratégias que, em vez de ressaltar as propostas do candidato, se concentram em criar embaraços e a “desconstruir” a imagem do adversário.

“Desconstruir”, no dicionário das campanhas, nada mais é do que jogar no ventilador os defeitos do oponente. Simples assim. Nesse ambiente, o eleitor pode ir se preparando para, nas próximas semanas, presenciar debates acalorados, mas pouco esclarecedores. E, além disso, para testemunhar uma série de tentativas de espalhar todas as cascas de banana possíveis no caminho do adversário. Uma amostra dessa tendência foi dada na quinta-feira passada — quando veio à tona uma fraude que atingiu a campanha do senador Flávio Bolsonaro.

[Antigamente] O Gordo e o Magro

Laurel and Hardy (br: O Gordo e o Magro; pt: Bucha e Estica) foi uma famosa dupla de comediantes e uma das equipes cômicas mais populares do cinema dos Estados Unidos, em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood.

Composta por um magro, o inglês Stan Laurel (1890 – 1965) e um gordo, o americano Oliver Hardy (1892 – 1957), a dupla tornou-se conhecida durante as décadas de 1920 e 1930 pelo seu trabalho em filmes de comédia e apresentações teatrais na América e na Europa. (…) Wikipédia 

Onde é? Qual o nome? 😉

[As danações de Carina] Quanto tempo falta?

Carina Bratt

Para minha mãe, Marcela Bratt

O RELÓGIO DO TEMPO anda sempre no mesmo passo, mas há dias que ele parece correr, fugir, deixar para trás tudo o que euzinha havia planejado. Havia o domingo, as danças que fazem bem à alma, o caminhar na praia, as pizzas no lugar de sempre, as crônicas das minhas ‘Danações’ que prometia escrever e entregar ao meu amigo Jim. Mas a vida, às vezes, prega peças, nos dá susto, nos aniquila, bate à porta com urgência, e o que era rotina e calma se desfaz num instante. Num único instante. E, do nada, tudo que se fazia felicidade, some, desaparece, vira fumaça.

Minha mãe Marcela, que carrega consigo o peso do Alzheimer, precisou ser levada às pressas para internação. Corri com ela e Aparecido. Nessa correria, o mundo, o meu mundo se reduziu ao seu bem-estar, à sua mão tremida segurando a minha, aos seus olhos que, por vezes, não reconheciam onde estavam nem por que estavam ali. Essa doença infame e ingrata é assim: vai apagando devagar as lembranças, os nomes, os caminhos...

Ela não esquece só o que comeu há pouco, o que bebeu, esquece quem é, onde esteve, o quanto foi amada. E quando outra doença chega, quando o corpo enfraquece além da mente, tudo se torna duas vezes mais difícil. Ela não consegue explicar o que sente, não entende os médicos, os quartos, as agulhas. Só sente medo. Um medo tétrico que se achegou depois que meu papai Francisco se foi. E eu precisei estar lá, me fazer inteira, afastar os medos, as angustias, os receios e temores, para segurar esse medo grandioso e pesado junto com ela.

Naquelas horas de aflição, olhei para o relógio e pensei: Quanto tempo falta? Falta tempo para cuidar dela, cuidar com toda calma que ela merece. Falta tempo para lembrá-la, suavemente, de quem ela é. Falta tempo para as minhas crônicas de todos os domingos, que ficaram esquecidas num canto, assim como o texto que deveria ter escrito e mandado com antecedência. 

sábado, 15 de agosto de 2026

Eles chegaram às 7h30 e a loja estava fechada

Em 48 horas, a Casas Bahia apagou 298 endereços do mapa e mandou 1,9 mil pessoas para casa. O que veio depois é pior

Rogerio Pires 

Em Ponta Grossa, no Paraná, os 31 funcionários de uma loja da Casas Bahia na Avenida Doutor Vicente Machado foram orientados a comparecer às 7h30 desta sexta-feira. Chegaram no horário. Uniforme, crachá, café tomado em casa, a rotina de sempre. A loja não abriu mais.

A mesma cena se repetiu em cidades do Paraná, da Bahia, de Pernambuco, do Mato Grosso do Sul. Em alguns pontos, um cartaz colado na porta avisava apenas que não haveria expediente.

Imagine perder o emprego dentro de uma casa que já está endividada. Agora pare de imaginar. É o que aconteceu com milhares de brasileiros nas últimas 48 horas.

O número que a empresa não quis comentar

A Casas Bahia fechou 298 lojas entre quinta e sexta-feira, segundo apuração do Valor Econômico. São 28,7% de toda a rede física da companhia no país, que tinha pouco mais de mil unidades. Cerca de 1,9 mil pessoas foram demitidas: 600 na quinta, entre 1,3 mil e 1,4 mil na sexta. Pelo relato do jornal, o total pode chegar a 3 mil.

Para dar dimensão do choque: nas gestões anteriores, a empresa fechava de 20 a 30 lojas por ano. Nos doze meses até março, o grupo tinha encolhido em 26 unidades no saldo entre aberturas e fechamentos. Agora foram 298 em dois dias.

A companhia vem de prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão só no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro da perda do mesmo período do ano anterior, depois de fechar 2025 com cerca de R$ 3 bilhões no vermelho. Passou por recuperação extrajudicial em 2024 para renegociar cerca de R$ 4 bilhões em obrigações. Procurada pela imprensa, não se manifestou até a publicação das reportagens.

E não é um caso isolado.

Carta aberta aos jornalistas

Claudio Dantas

O Brasil é governado por uma Junta Cívico-Jurídica que tem como expoentes Lula, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Um consórcio autoritário que submete a todos, inclusive a imprensa que o apoia deliberadamente e por interesses mesquinhos.

Essa Junta destruiu a Lava Jato e sufocou um movimento político de massa de origem popular, legítimo e democrático. Acusado de radicalismo, por mera questão de forma e não de conteúdo, esse movimento amadureceu e agora entrega um candidato adaptado à forma.

Mesmo apanhando todo dia dessa mesma imprensa, Flávio e seus aliados absorvem acusações falsas e críticas desonestas; e ainda mantêm o diálogo com todos. Da última vez que esteve no meu programa, há mais de um ano, declarou ao vivo seu respeito ao meu trabalho, citando minhas críticas duras, mas honestas. Teve a coragem de ser entrevistado pelo jornalista que publicou a história da compra de sua casa em Brasília. Não foi à Justiça tentar derrubar a matéria, não fez ameaças, não pediu para a PF quebrar meu sigilo para descobrir a fonte da reportagem. Seu pai (Jair) também me recebeu no Planalto, mesmo quando criticado por mim por suas escolhas para a PGR e para o STF.

Já fui censurado pela Junta, nunca por qualquer bolsonarista. Despertei para isso há alguns anos e estimo que o mesmo aconteça com outros jornalistas, acadêmicos, financistas etc.

Me lembro que, em 9 de janeiro de 2023, ao questionar um advogado do PT — bastante conhecido e educado — sobre os abusos de direitos humanos contra cidadãos comuns indignados com a eleição de Lula, ouvi a frase "que Moraes tranque todos eles e jogue a chave fora". Essa frase funcionou na minha cabeça como um gatilho, foi literalmente uma "virada de chave". Percebi ali que a "forma" é irrelevante diante do conteúdo e, muitas vezes, tem até sentido tático.

Flávio Bolsonaro: Apresentação do Plano de Governo

Torcida do Vasco faz apelo por jogo de despedida para Nenê

Nenê fala sobre jogo de despedida pelo Vasco da Gama e torcida faz pedido a Pedrinho; veja comentários das redes sociais

Aniele Lacerda

A torcida do Vasco fez um pedido especial ao presidente Pedrinho: um jogo de despedida para Nenê, ídolo do Clube. Recentemente, o meia concedeu entrevista e falou que aguarda apenas o convite do mandatário. 

Foto: Daniel Ramalho/Vasco da Gama

– Com certeza é uma coisa que já tinha né? (fazer o jogo comemorativo) desde quando a gente saiu, e com certeza continua um desejo. Acho que não só meu, mas também do torcedor do Vasco. Então vai dá… Ô Pedrinho! (…) Vamos juntar as duas coisas e fazer uma festa bacana! – disse Nenê.

Assim, após a declaração do ex-Gigante da Colina, os vascaínos fizeram apelo pelo jogo de despedida do craque. A seguir, veja os comentários.

Veja comentários

14-8-2026: Oeste sem filtro – Ativismo do STF em alta: Gilmar defende interferência no Legislativo


Relacionados:
🚨 Filiação de Flávio foi fraudada dentro do TSE?! 
MBL (Moleques Brasileiros Levianos) 
Governo autoriza hotel de 11,8 mil metros quadrados no Aeroporto Santos Dumont 
13-8-2026: Oeste sem filtro – Flávio Bolsonaro divulga plano de governo + Sonia Guajajara (Psol) associa terremotos a governos de extrema-direita 
Não existe Polícia Federal; existe Andrei Rodrigues 
A imprensa ignora Fauci porque teria que admitir o próprio papel na pandemia 
12-8-2026: Oeste sem filtro – Entidades denunciam o risco à liberdade de imprensa + A segunda reunião entre Lula e Alcolumbre + Lulinha muda de endereço comercial 
Como se aprisiona um homem sem erguer uma única parede 
Por que tanto espanto?! 

🚨 Filiação de Flávio foi fraudada dentro do TSE?!

[Pernoitar, comer e beber fora] Taberna Londrina + Manteigaria Portuguesa

Fomos, o casal CF/LT, à Taberna Londrina.

Não, não fomos para encher a cara de Gin ou de Licor Beirão…

Fomos para comermos “Francesinha à moda do Porto”: 

Antes dela: Cachorrinhos e Folhados de Alheira. 

Estava tudo bom, mas nada de espetacular. A francesinha não me encantou…
Espetacular foi o atendimento da atendente Rita e do seu colega.

🥘 🥘 🥘

Mas, por que o nome “Taberna Londrina”?

[Versos de través] Metáforas

Manuel Cândido Pimentel 

Que me dizem as metáforas? Quando existias
elas falavam-me do ser, e eu alinhava-as no papel para o teu retrato.
Que me dizem as metáforas? Falam-me do nada, e eu alinho-as no papel…
alinho-as simplesmente… e têm um sabor ou são borboletas
sem primavera ou flores sem fruto perdidas da raiz.
As metáforas são como lágrimas rolando sobre o vazio de não ter,
como estrelas perdidas caindo dos céus, como cílios a que um deus qualquer
roubou os olhos. Escuta, minha memória, quantas metafísicas,
quantos tratados, quantos livros li, quanto os pesei…
quanto falei da vida, quanto meditei da morte?
Nunca ontem e nunca como hoje penetrei os segredos,
que do lado de cá da vida as metáforas são apenas metáforas,
vozes débeis de nenhures. Ah minha canção de ti, apenas oro…
esquecido de metafísicas.

Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 31-1-2024

Anteriores:
A oeste
Minha confissão leal 
Rei Cortiço 
Eurídice 
Vogais