sábado, 25 de julho de 2026

A canalhice da "imprensa" não tem limite

Leandro Ruschel 

Em 19 de julho, no ato dos 47 anos da revolução sandinista, Daniel Ortega, companheiro de Foro de São Paulo, anunciou que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, para que a oposição não chegue ao poder. Sem poder deixar de condenar o autogolpe, a Folha fez o que a militância de redação sabe fazer: saiu à procura de um "equivalente" do outro lado. E escalou Nayib Bukele. 

O texto vergonhoso "esquece" que Bukele foi reeleito em 2024 com quase 85% dos votos, depois de ter praticamente ACABADO com o crime no país que, em 2015, era o mais violento do planeta, com 103 homicídios por 100 mil habitantes. El Salvador fechou 2025 com 82 homicídios. Oitenta e dois, no país inteiro, no ano inteiro.

É razoável questionar medidas do governo Bukele quanto ao devido processo legal, e a reeleição indefinida aprovada em 2025 merece crítica. Também é certo que nenhum país com aquela violência encerraria o ciclo do crime sem romper com a lógica dos "direitos dos manos", em que o criminoso acumula direitos infinitos e a vítima tem apenas o direito de perecer diante dele, exatamente como ocorre no Brasil.

Só que em El Salvador há eleição marcada para 2027 e há oposição no parlamento. Ortega acaba de anunciar que eleição não haverá mais nenhuma.

Mas a principal falha do editorial nem é a falsa equivalência entre um governo eleito que combate o crime e um regime comunista sem eleições, que reprime o opositor, não o bandido.

O maior problema da peça é não mencionar o Brasil.

A Folha também ignora as centenas de presos, condenados e exilados políticos produzidos pelo estado de exceção brasileiro. Não se trata de dizer que todo mundo que estava em Brasília no 8 de Janeiro era inocente, nem que vandalismo não deva ser punido. Trata-se de olhar para o que foi feito com os réus.

Estátua de São Cristóvão é furtada no Rio na véspera do dia dedicado ao santo

Reposição para o monumento, instalado em 1969, já foi iniciada


João Agner

A estátua de São Cristóvão, localizada no Trevo das Margaridas, que conecta a Avenida Brasil à Avenida Presidente Dutra, foi furtada em plena véspera do dia do santo, celebrado neste sábado (25/7). São Cristóvão é conhecido como padroeiro dos motoristas, viajantes, caminhoneiros e de todos que vivem na estrada. A peça foi instalada no local em 1969, e já havia sido alvo de furto anteriormente, quando criminosos levaram a perna direita do monumento.

Prefeitura do Rio registrou um boletim de ocorrência, e o incidente foi confirmado pela Secretaria Municipal de Conservação do Rio nesta sexta-feira (24/7). De acordo com a pasta, o processo para a reposição da obra, que era feito de bronze, já foi iniciado.

O furto faz com que o número de monumentos alvos de depredação ou vandalismo na cidade esse ano suba para 15. Somente este ano, já foram gastos mais de R$250 mil para reparar os prejuízos causados por furtos e atos de vandalismo.

Missa na Igreja Lapa dos Mercadores

Entre as muitas homenagens a São Cristóvão que acontecem neste sábado (25/7), na cidade do Rio, o grande destaque vai para a missa que será realizada na Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio. A solenidade será conduzida pelo Padre Vitor Pereira, e contará com coral e orquestra.

Título e Texto: João Agner, Diário do Rio, 24-7-2026

Vasco x Mirassol hoje: onde assistir, horário, escalações e tudo sobre o jogo

O Vasco da Gama enfrenta o Mirassol neste sábado em busca de uma vitória para recuperar a confiança e iniciar reação no Brasileirão

Anderson Montalvão 

Thiago Mendes em jogo contra o Mirassol, foto: Matheus Lima/Vasco

Vasco x Mirassol movimenta a 20ª rodada do Campeonato Brasileiro neste sábado (25), às 20h30 (de Brasília), em São Januário. Em confronto direto contra a zona de rebaixamento, o Cruzmaltino entra em campo pressionado pela necessidade da vitória diante de sua torcida.

O Gigante da Colina ocupa a 17ª colocação, com 20 pontos, abrindo o Z4. Logo atrás aparece o Mirassol, em 18º lugar, com 19 pontos. Separadas por apenas um ponto, as equipes fazem um jogo que pode mudar o cenário da parte de baixo da tabela.

Para o Vasco, o duelo representa mais do que três pontos: é a oportunidade de iniciar uma reação no Campeonato Brasileiro e conquistar a primeira vitória sob o comando do técnico Pedro Emanuel.

Vasco busca primeira vitória com Pedro Emanuel

Desde que assumiu o comando da equipe, Pedro Emanuel ainda não venceu. O treinador soma um empate e uma derrota e tenta aproveitar o fator casa para dar um novo rumo à campanha vascaína.

A expectativa é de um São Januário lotado para empurrar o Cruzmaltino em uma partida tratada internamente como uma das mais importantes da temporada. Um triunfo pode tirar o clube da zona de rebaixamento, dependendo dos resultados da rodada.

Mirassol chega embalado ao confronto

Onde está o meu belo Portugal?


Vídeo: Teresa Henriques, Facebook, 23-7-2026, 18h11

24-7-2026: Oeste sem filtro – Mulher de m. perde ação, e Vorcaro é condenado a pagar honorários + Governo Americano garante que tem interesse nas eleições no Brasil + Milei chega ao Brasil


Relacionados:
Anatomia de um choque: o dia em que Elon Musk devolveu o rótulo à mídia 
O Brasil acordou, e é por isso que o sistema apelou para o porrete 
Nicarágua: aquilo é que é o verdadeiro comunismo 
23-7-2026: Oeste sem filtro – Mendonça aumenta controle no caso INSS + Casa Branca anuncia tarifa adicional de 12,5% + Mendonça autoriza PF a investigar filme sobre Bolsonaro + Flávio e Michelle Bolsonaro vão caminhar juntos 
A verdade sobre a Faria Lima é mais incômoda do que parece 

[Versos de través] Rei Cortiço

Manuel Cândido Pimentel  











Viste o mar pela última vez na praia do rei cortiço.
Era setembro. Nunca mais lá voltei nem nunca mais lá voltarei.
Não quero perturbar a essência que lá deixaste
impressa na moldura do céu e da água
onde tua figura se recortava… Demos as mãos
e nada mais importou, nem a tua doença,
porque nesse tempo salgado fomos felizes.
Hão de correr milénios
as areias hão de mudar ao ritmo das vagas
mas a tua essência não passará.
Cai eterna nas alfombras da minha alma
onde apascento ovelhas, e zagais
tocam em flautas a melodia do teu nome.
O dia declina no rei cortiço
e eu imagino a lenda ao pôr do sol
de dois amantes abraçados,
figuras logo desfeitas quando o poente decai… e morre.


Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 26-1-2024

Anteriores: 
Eurídice 
Vogais 
Visão 
Memória 
A voz dos búzios

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A origem do homem

O documentário do Discovery Channel conhecido como A Origem do Homem (cujo título original em inglês é The Real Eve) foi lançado no ano de 2002. 

Muitos cientistas acreditam que os primeiros seres humanos surgiram na África Oriental. Se isso for verdade, por que os humanos são encontrados em quase todos os lugares do mundo? Qual a razão de sermos diferentes uns dos outros? No documentário "A origem do homem" entenderemos as respostas para essas e outras questões, utilizando as mais recentes pesquisas nos campos da genética e da antropologia.

Qual foi a causa do grande êxodo desses seres humanos? Como conseguiram povoar quase toda a extensão da Terra? Como nossos corpos adaptaram-se com o passar do tempo ao meio ambiente? 

Cientistas, como Steven Oppenheimer e Rebecca Cann, unem estudos paleoantropológicos e

de rastreamento genético (genes marcadores em mitocôndrias) para desenvolver a teoria da Eva mitocondrial, que propõe uma relação estreita de parentesco pré-histórico entre as várias raças humanas.

Esses estudos contam a história do surgimento e migrações das comunidades primitivas e a travessia da África para o Iêmen, há 80 mil anos;
as migrações para a Ásia, Austrália, Europa e América;
o homem de Neandertal;
o surgimento das primeiras expressões artísticas.

Contém reconstituições dramatizadas dos povos primitivos.

Documentário globalista e progressista, vulgo woke. 😏

Distopia do Reino Unido: Oxford e Cambridge excluem estudantes brancos da classe trabalhadora

Paulo Hasse Paixão

As universidades de Oxford e Cambridge, em Inglaterra, estão a atribuir bolsas de estudo orientadas para a diversidade que excluem os estudantes brancos da classe trabalhadora, confirmando as suspeitas sobre um sistema académico racista e oligárquico, de duplo critério 

Um estudo sobre os Resultados Educativos da Classe Trabalhadora Branca verificou que as universidades mais prestigiadas de Inglaterra, Oxford e Cambridge, oferecem mais de uma dezena de bolsas de estudo e ajudas financeiras dirigidas a estudantes negros, asiáticos e de minorias étnicas (BAME), ao mesmo tempo que excluem, em grande parte, os estudantes brancos da classe trabalhadora. 

Exemplos citados pelos investigadores incluem a Bolsa Stormzy de Cambridge e vários programas de financiamento de Oxford reservados para grupos étnicos específicos, enquanto as mulheres brancas da classe trabalhadora parecem ser elegíveis para apenas dois programas de diversidade de Oxford e Cambridge, e os homens brancos da classe trabalhadora para apenas um.

Oxford oferece uma bolsa anual não reembolsável até cerca de 8.300 dólares para estudantes britânicos de famílias com baixos rendimentos, enquanto a Bolsa Stormzy de Cambridge oferece cerca de 27.000 dólares por ano, mas o estudo concluiu que as crianças brancas da classe trabalhadora estão entre as mais desfavorecidas do sistema educativo de Inglaterra.

Suella Braverman, do partido Reform UK de Nigel Farage, defendeu que os programas de bolsas de estudo baseados na raça devem ser substituídos por apoios baseados na desvantagem socioeconômica, em vez da etnia, afirmando:

“Se Oxford e Cambridge querem fazer jus à sua orgulhosa história de meritocracia, devem acabar imediatamente com estes programas racialmente discriminatórios e julgar as pessoas pelos seus talentos, e não pela cor da pele.”  

Anatomia de um choque: o dia em que Elon Musk devolveu o rótulo à mídia

Musk encurralou a editora da The Economist com uma pergunta que ela não respondeu

Rogerio Pires 

Foram 85 minutos de conversa. Os primeiros trinta pareciam uma entrevista de tecnologia. Os últimos cinquenta viraram outra coisa: um duelo sobre quem tem o direito de definir as palavras que usamos para descrever o mundo.

De um lado, Zanny Minton Beddoes, editora-chefe da The Economist, símbolo maior do establishment da mídia europeia. Do outro, Elon Musk, recebendo a jornalista na Giga Texas para sua primeira grande entrevista desde o IPO bilionário da SpaceX. O material foi ao ar nesta quinta-feira no programa Insider, da própria revista.

E o que era para ser uma sabatina virou um raio-x do abismo entre a imprensa tradicional e o homem mais poderoso do mundo.

O começo cordial

A entrevista abre em terreno seguro. Musk fala de inteligência artificial com a convicção de sempre: a IA vai superar a inteligência humana somada em cerca de cinco anos, e em pouco tempo não haverá quase nada que ela não faça melhor do que nós.

Depois vem o DOGE, o departamento de eficiência governamental, e o discurso do corte de desperdícios. Aqui, Musk faz até uma admissão rara, quase uma autocrítica calculada: “me envolvi um pouco demais na política, me empolguei”.

Até esse ponto, o tom é pragmático. Musk se apresenta como engenheiro, um solucionador de problemas estruturais. Não como ideólogo.

A virada

Aí Beddoes dispara a acusação que muda tudo: “Você apoia não só a direita populista, mas a extrema direita. Na verdade, partidos muito marginais em alguns países”.

O Brasil acordou, e é por isso que o sistema apelou para o porrete

Abusos, censura e perseguição não mostram apenas força do sistema: mostram que o plano de "dominação silenciosa" deixou de funcionar

Leandro Ruschel 

Existe algo a fazer para livrar o Brasil do socialismo? 

A resposta começa pela boa notícia. E ela existe. 

O Brasil acordou. 

Pode parecer estranho dizer isso num momento de censura, perseguição política, prisões, cassações e abuso institucional. Mas há um dado da realidade que não pode ser ignorado: hoje, o brasileiro médio conhece mais nomes do Supremo do que nomes da seleção brasileira. Quinze anos atrás, ministro de tribunal era figura distante, invisível, quase técnica. Hoje, o motorista de aplicativo, o pequeno empresário, a dona de casa, o estudante e o trabalhador comum sabem quem decidiu, quem relatou, quem censurou, quem prendeu, quem soltou, quem se omitiu. 

Isso não aconteceu por acaso. 

Aconteceu porque o abuso ficou grande demais para continuar escondido. 

E aqui está a leitura que muita gente ainda não fez: a repressão não é apenas sinal de força. Ela também é evidência de fracasso. O plano original da esquerda brasileira era outro. Era o plano gramsciano: vencer sem parecer que estava vencendo. Dominar a escola, a universidade, a imprensa, a cultura, o tribunal, a linguagem e a imaginação moral do país sem que a maioria percebesse que havia uma guerra em curso. 

O objetivo era simples: ganhar sem lutar. 

A esquerda queria ocupar as instituições silenciosamente, formar gerações inteiras dentro da sua visão de mundo, controlar os termos do debate, definir o que é aceitável, o que é extremo, o que é “democrático”, o que é “ódio”, o que é “ciência”, o que é “desinformação”. Queria moldar o país por dentro, enquanto o cidadão comum seguia a vida achando que política era apenas eleição de quatro em quatro anos. 

Nicarágua: aquilo é que é o verdadeiro comunismo

Alberto Gonçalves comenta a decisão do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, em abolir as eleições democráticas no país a pretexto da defesa da democracia. 

Cobertura que pertenceu a Juscelino Kubitschek é vendida por R$ 82 milhões em Ipanema

A negociação, concluída no mês passado, se tornou a maior transação do mercado imobiliário residencial da história do Rio de Janeiro

Victor Serra

A cobertura tríplex que pertenceu ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, no Edifício JK, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, acaba de ser vendida por R$ 82 milhões. A negociação, concluída no mês passado, se tornou a maior transação do mercado imobiliário residencial da história do Rio de Janeiro. 

O enorme apartamento, de cerca de 2 mil metros quadrados, tem entre seus diferenciais a única piscina semiolímpica existente em um prédio no Rio.

Construído em 1960, o edifício, que abriga apenas três apartamentos, é o único residencial da orla do bairro projetado por Oscar Niemeyer. Como a legislação da época limitava a altura das construções na avenida, o arquiteto concebeu um prisma de vidro suspenso sobre pilotis apoiados em três pilares centrais. Já as curvas, características do profissional, estão em seu interior, com uma abertura sinuosa, além de uma escada escultural ligando os dois últimos andares.

Construído por Sebastião Paes de Almeida, então presidente do Banco do Brasil e ministro interino da Fazenda durante o governo JK, o edifício também foi residência do cantor Caetano Veloso, da empresária Paula Lavigne e do embaixador espanhol Jaime Alba Delibes.

Título e Texto: Victor Serra, Diário do Rio, 23-7-2026

[Foco no fosso] E aí, IA?

De quem é a culpa?

Haroldo Barboza

Nos primórdios, mesmo com a população mundial abaixo de 100.000 analfabetos famintos, 98% dos habitantes trabalhavam pela sociedade enquanto 2% passavam o tempo bolando meios de obter alimentos e agasalhos sem muito esforço. 

E mesmo com todo o espaço disponível no planeta, haviam os "imperadores" que insuflavam seus guerreiros a tomar o território e bens alheios. O objetivo maior era obter escravos, sem salários. 

E a cada século, invenções eram elaboradas para o bem (redução de esforço) mas os tais 2% efetuavam alterações nas mesmas para fins escusos. 

E assim passamos pelas espadas, armas de fogo, dinamite, foguetes, satélites, furadeiras e outros mais. 

Agora os drones (ótimos para filmar, efetuar entregas, monitorar trânsito, ajudar na agricultura e afins, já estão adaptados para lançar granadas em locais dominados por adversários. 

Culpa dos drones? Eles não prestam? 

Não. São aqueles 2% de desnorteados que infernizam a vida dos 98% que desejam paz para evoluir através do estudo e do trabalho. 

O que surpreende é a passividade dos 98% que não se juntam para pressionar os que os lideram (foram votados para manter o sistema de igualdade) e penalizar (e até excluir do convívio livre) os desajustados. 

23-7-2026: Oeste sem filtro – Mendonça aumenta controle no caso INSS + Casa Branca anuncia tarifa adicional de 12,5% + Mendonça autoriza PF a investigar filme sobre Bolsonaro + Flávio e Michelle Bolsonaro vão caminhar juntos

Foto:Brenno Carvalho/Agência O Globo

Relacionados:

A verdade sobre a Faria Lima é mais incômoda do que parece 
"Sem a impressão do voto não há possibilidade de recontagem" 
22-7-2026: Oeste sem filtro – Consórcio Imprensa/STF ataca Flávio por alerta eleitoral + Amiga de Lulinha pede ao stf que apure vazamento de conversas 
PF investiga desvio de R$ 45 milhões da Caixa Econômica com apoio de servidores e contraventores 
21-7-2026: Oeste sem filtro – Governo pagou quase um milhão de reais para defender m. nos EUA + Lula insiste em enforcar ‘traidores da pátria’ 
Ortega enterrou as eleições. E ninguém aqui se assustou? 

[Aparecido rasga o verbo] Avesso

Aparecido Raimundo de Souza

HOJE, por volta das cinco da manhã, acordei e vesti a camisa do lado avesso. Não percebi na hora, só quando fui tomar meu café, capturei o reflexo do armário de vidro que me fez a gentileza de me mostrar a etiqueta dura grudada no pescoço, a costura fina correndo ao longo do peito como uma ferida que não sangra mais. Fiquei olhando para mim mesmo um minuto, e então pensei: não é a primeira coisa, hoje, que está do lado errado. A vida tem dessas tiradas. A gente passa décadas andando pelo lado direito de tudo: a roupa bem passada, os filhos na escola, o trabalho na hora certa, a esposa arrumando a gravata antes de eu sair, o mundo alinhado como as toalhas no armário dela, junto com as calcinhas de um lado e as minhas cuecas do outro. Tudo tem uma face para fora, uma face limpa, sem nó, sem costura aparecendo. É a face que os outros veem, a que a gente mesmo aprende a considerar como a verdadeira.

E então, um dia, sem aviso, sem ninguém virar a chave, a gente acorda no avesso. Os pequenos avessos chegam primeiro. A meia que se calça com a costura para fora e só percebe depois de caminhar três quarteirões para pegar o ônibus superlotado. A fronha que ficou com o feio virado para cima, e não se teve mais força para trocar. O lençol que se amassou todo por baixo, na noite de insônia, e quando a gente acorda parece que, ao ter tirado uma trepada com a mulher, deixou, ou ficou a impressão de que ela dormiu dentro de um nó. Antes, ela percebia tudo isso. Um olhar só, e já esticava a gola da minha camisa, acertava o meu pinto murcho dentro da cueca, virava a meia paro o lado direito, arrumava a cama desfazendo os desacertos da foda enquanto eu tomava o primeiro gole de café e comia um pedaço e bolo de chocolate. Hoje, os avessos pequenos ficam lá, permanecem quietos, como se a casa também tivesse desistido de fingir que tudo está perfeito.

Depois chegam os avessos grandes, os que doem de verdade. Os nossos filhos, que um dia corriam atrás pelo jardim gritando “papai, espera”, agora somos nós que ficamos esperando o telefone deles tocar, uma vez por semana, para dizer que estão bem. Os netos, que subiam no meu cangote como se eu fosse uma árvore segura, agora passam ao abraço rápido e já voltam para o celular, como se o meu colo tivesse ficado pequeno demais para o universo deles. O trabalho, que por bons punhados de anos foi o centro do meu dia, a razão de acordar cedo, de suar, de lutar, de me sentir útil, hoje é só um diploma na parede da sala, ao lado de um relógio cuco que parou, uma história que a gente conta e os mais novos ouvem com educação, sem entender realmente o tamanho daquela vitória. Até o tempo virou do avesso. Até bem pouco tempo, os dias se faziam longos, demoravam a acabar.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A verdade sobre a Faria Lima é mais incômoda do que parece

Rejeição de parte da elite financeira a Flávio revela menos prudência econômica e mais disposição de negociar com um sistema que ela diz criticar, mas do qual muitas vezes se beneficia

Leandro Ruschel

Por que a Faria Lima insiste tanto numa terceira via? Por que parte dela parece disposta até a ir de Lula para não ir de Flávio Bolsonaro? 

Antes de responder, é preciso fazer uma precisão importante: não existe uma única Faria Lima. Existe gestor liberal de verdade. Existe gente que financia boa causa. Existe empresário que entendeu o tamanho do jogo. Existe gente séria, corajosa, que não se rendeu ao vocabulário bonito da captura estatal. 

Mas existe também um comportamento médio. E esse comportamento médio tem dois defeitos graves. 

O primeiro é a tolerância com a corrupção quando ela convém. 

O mesmo mercado que fala em governança, compliance, eficiência, previsibilidade e segurança jurídica muitas vezes engole balcão, emenda, capitalismo de compadrio e proteção regulatória quando o arranjo rende negócio. O discurso liberal vai até a página em que começa o subsídio, o crédito amigo, a regra feita sob medida, a conversa certa no gabinete certo. 

Para essa turma, o problema nunca foi exatamente o sistema podre. Foi não ter assento preferencial na mesa. 

Essa é a contradição que precisa ser encarada. Parte da elite financeira brasileira gosta da estética do mercado, mas não necessariamente da ética do mercado. Gosta da linguagem da eficiência, mas se acomoda muito bem ao jogo dos favores. Gosta de defender liberdade econômica em painel, evento e relatório, mas não se incomoda tanto assim quando o Estado vira sócio oculto, garantidor de privilégio e distribuidor de proteção. 

"Sem a impressão do voto não há possibilidade de recontagem"

Sem a recontagem a fraude impera


Relacionados:
22-7-2026: Oeste sem filtro – Consórcio Imprensa/STF ataca Flávio por alerta eleitoral + Amiga de Lulinha pede ao stf que apure vazamento de conversas 
PF investiga desvio de R$ 45 milhões da Caixa Econômica com apoio de servidores e contraventores 
21-7-2026: Oeste sem filtro – Governo pagou quase um milhão de reais para defender m. nos EUA + Lula insiste em enforcar ‘traidores da pátria’ 
Ortega enterrou as eleições. E ninguém aqui se assustou? 

22-7-2026: Oeste sem filtro – Consórcio Imprensa/STF ataca Flávio por alerta eleitoral + Amiga de Lulinha pede ao stf que apure vazamento de conversas


Relacionados:

PF investiga desvio de R$ 45 milhões da Caixa Econômica com apoio de servidores e contraventores 
21-7-2026: Oeste sem filtro – Governo pagou quase um milhão de reais para defender m. nos EUA + Lula insiste em enforcar ‘traidores da pátria’ 
Ortega enterrou as eleições. E ninguém aqui se assustou? 
Live com Daniela Marques: política e economia 
20-7-2026: Oeste sem filtro – Alcolumbre usou avião da FAB para participar do Festival de Parintins + Decreto de Lula para censurar redes sociais entram em vigor 
Juventude sem valores, sem regras, sem referências: um diagnóstico da crise atual 
Rio precisa de ordem, não de romantização da ilegalidade

[Fotografando por aí] Piódão

7-7-2026, foto: JP

Anteriores:
Ellie 
Marco Geodésico de Portugal 
À janela 
Praia do Pepê 
Fátima

[Viagens & Destinos] Piódão: A aldeia de xisto mais bonita de Portugal


Anteriores:

Museu Nacional – Quinta da Boa Vista – São Cristóvão 
Leblon — O bairro mais caro do Brasil【4K】💰 
O melhor São João de Portugal: nossa experiência no Porto 
[Viagens & Destinos] Copacabana num domingo de Inverno – Rio de Janeiro, Brasil 
Caminhos da História - O Dragão no logotipo do FC Porto 🐉 
Santo Antônio – Lisboa 2026

[Daqui e Dali] Onde se fala do Brasil e da língua portuguesa

Humberto Pinho da Silva

Ainda não tinha trinta anos quando cheguei à pauliceia. Permaneci estupefacto pela grandiosidade da cidade! Não, digo, abismado.  As artérias bem rasgadas; o ruído frenético das viaturas; e os vivos pregões peculiares, que animam a agitada capital estonteiam qualquer europeu.

Encantado fiquei ao deambular pelo recatado “Alto de Pinheiros” e, mais ainda, ao deparar em graciosa residência desse aristocrático bairro a terna companhia de jornada.

Serve o introito para exprimir a mágoa que senti ao deparar, recentemente, a seguinte notícia no jornal "O Globo":

Apareceu no festival "Remexe Rio", escritor angolano, asseverando que a língua portuguesa devia mudar de nome (!), já que foi enxertada de vocábulos de outras línguas. O nome sugerido foi "Língua Geral"!!!

O desconchavo não admira, porque o palco apropriado para esses destemperos, não podia ser senão o Brasil.

Já em 1923, mais propriamente a 7 de setembro, o "Correio do Povo", de Porto Alegre, apresentava o parecer do Académico brasileiro, Conde de Afonso Celso, profetizando que a língua brasileira será tão diferente da portuguesa, como esta é do latim.

Medeiros e Albuquerque, homem de letras brasileiro, afirmou, em 1913, que "O eixo da literatura portuguesa se deslocará, em breve tempo, inevitavelmente, para o Brasil, a metrópole da nossa língua" (!)

Portuguesa ou brasileira? Porque alguns intelectuais, chegaram a criar a Academia de Letras da Língua Brasileira!...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Agostinho e a verdadeira exaltação da mulher

Vitor Grando

A verdadeira exaltação da mulher não consiste em medir sua realização a partir de um ideal masculino, mas em reconhecer a dignidade e a vocação próprias da feminilidade.

Grande parte do pensamento feminista moderno entende a emancipação feminina em termos de igualdade de papéis ou da superação das diferenças entre homem e mulher. A tradição cristã, porém, propõe um caminho distinto: homens e mulheres possuem igual dignidade, mas foram criados com vocações e características próprias, que não devem ser confundidas nem hierarquizadas.

Ao comentar o livro de Gênesis, Agostinho oferece elementos para compreender essa complementaridade e para redescobrir a riqueza da feminilidade à luz da criação.

Mais do que adotar categorias contemporâneas, sua reflexão nos convida a retornar ao testemunho das Escrituras e a reconhecer a sabedoria da ordem criada por Deus.

Título, Texto e Vídeo: Vitor Grando, Facebook, 22-7-2026, 1h13

PF investiga desvio de R$ 45 milhões da Caixa Econômica com apoio de servidores e contraventores

Mandados foram cumpridos em cinco cidades fluminenses. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de advogados, servidores públicos e uma organização criminosa suspeita de fraudes eletrônicas e vazamento de informações sigilosas

Bruna Castro

Polícia Federal deflagrou, na terça-feira, 21 de julho, a Operação Infiltrados, contra uma organização criminosa suspeita de desviar aproximadamente R$ 45 milhões de contas de correntistas e beneficiários da Caixa Econômica Federal

A investigação aponta que o esquema teria contado com a participação de advogados, servidores públicos e contraventores. Segundo a PF, parte dos envolvidos atuaria para dificultar as investigações, corromper agentes públicos e fornecer informações sigilosas aos integrantes da organização criminosa.

Cerca de 120 policiais federais participaram da operação, realizada com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal, o Gaeco/MPF.

Inicialmente, foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão em sete municípios. No Estado do Rio, as diligências ocorreram na capital, em Duque de CaxiasNova IguaçuNiterói e Cabo Frio. Também houve buscas nas cidades de Indaiatuba e Salto, no interior paulista.