António Justo
A guerra é suja e suja quem se envolve nela seja diretamete seja a nível de discurso! É com profunda tristeza que verifico como os média oficiais na Europa estão mais virados para a formatação da opinião pública do que para a criação de espíritos livres e críticos. A informação é confecionada de maneira a que o público desenvolva uma mente preconceituosa, incapaz de ver a realidade para além dos rótulos pré-estabelecidos, fixando-a apenas em categorias emocionais como se os povos não fossem capazes de mais.
A Estratégia da “Trégua
Limitada”
Observemos o momento atual:
fala-se agora em conversações para uma “trégua limitada” de paz, em vez de se
procurar um verdadeiro acordo de paz duradouro. Quando Putin recusa, a
narrativa dominante é simples afirmar que “o mau do Putin não quer”. Mas será
esta a leitura correta? Não. Ele não quer porque percebe que uma trégua
limitada, neste contexto, apenas serviria para dar à UE e ao Reino Unido tempo
e espaço para se rearmarem e se prepararem para uma guerra mais efetiva no
período pós trégua.
Bruxelas e Londres mantêm o mesmo espírito de autojustificação moral: a crença inabalável de que são os “bons e honestos” e o outro lado é invariavelmente o agressor. Esta tática e postura impedem qualquer progresso real e tem sido fundamentada sistematicamente numa narrativa pós-fática.
O Interesse Camuflado da UE
na Ucrânia
A verdade, que raramente é
contada, é que a União Europeia sempre teve interesse em apossar-se da Ucrânia,
seja economicamente, seja geopoliticamente. E tem feito tudo para que não se
chegue a acordos sérios que possam estabilizar a região sem a sua hegemonia. O
mais lamentável de tudo é que, devido a uma estratégia contínua de informação
pós-fática, onde os factos são moldados para servir narrativas, o povo europeu
foi de tal maneira emocionalizado que em geral perdeu a capacidade de
discernimento.
Hoje, o cidadão comum pensa, de forma simplista, que o mal está do lado da Rússia e o bem do lado da Europa. No entanto, se formos ver as coisas com isenção, a Europa tem vivido melhor do que outros povos não apenas pelo seu trabalho e engenho, mas também e em grande medida, devido à sua hipocrisia nas relações internacionais.













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