O Itamaraty exige desculpas pelas bravatas de Milei, mas tenta minimizar as declarações de Lula sobre o Paraguai — que podem custar caro aos brasileiros
Nuno Vasconcellos
Como presidente da República, Lula
deveria ser o primeiro a saber que esta não é uma boa hora para provocar o
Paraguai. Explica-se: desde que as turbinas de Itaipu começaram a girar, nos
anos 1980, o Brasil tem, por direito, 50% da carga da usina. Na prática, fica
com muito mais, pois compra parte da eletricidade que caberia ao vizinho e
sócio. No final, o Brasil fica com cerca de 70% da carga, enquanto os outros
30% ficam com o Paraguai.
O acordo que garante as condições atuais de fornecimento dessa energia, assinado em 2024 depois de longo debate, vence no próximo dia 31 de dezembro. Nos últimos anos, o Paraguai tem endurecido o jogo e ameaçado dar outro destino para os 20% excedentes que vende para o Brasil caso não receba mais por essa energia. O Brasil, por sua vez, considera o valor que paga por essa eletricidade excessivo e conta com uma redução. No fim das contas, qualquer acordo terá que ser homologado pelos Congressos dos dois países. É aí que está o problema: foi exatamente do Congresso do Paraguai que partiram as reações mais iradas às palavras de Lula.





















