terça-feira, 2 de junho de 2026

[Aparecido rasga o verbo] Quem ama você em silêncio, lê o seu olhar sem te ver

Aparecido Raimundo de Souza

EXISTE NUM LUGAR bem longe da Terra, uma infinidade de amores imperecíveis, paixões as mais diversificadas que não se anunciam em palavras. Esses sentimentos se escondem nos intervalos entre um gesto e outro, se ocultam nas pausas de uma respiração, se asilam nos silêncios que parecem desocupados, mas que, em verdade, carregam em seus núcleos viscerais uma espécie de gestação infinita e intocável de um mundo pra lá de sobrenatural além, claro, de atabafar o verdadeiro sentido da felicidade plena e de cultivar a quietude benfazeja em sua melhor forma de expressão.

Quem tem a sorte de amar em silêncio um desses amores vindos desse paraíso bem distante, pelo resto de sua vida não precisará da evidência da percepção visual. O interessado, ou a interessada, lerá na assimilação. Ao visualizar o outro, sentirá aquele amor sem ver, desbastará como quem decifra uma carta invisível escrita à flor da pele. É um amor que se move na penumbra, um gostar discreto, firme, forte como o vento que não se vê e, ainda assim, dobra árvores, derruba casas, faz carros voarem, e levanta a calmaria dos mares.

Esse amor não pede palco, nem plateia. Ele se contenta em existir nos subterrâneos da vida, onde o tempo não se limita e a distância não se decompõem. É o amor que entende seus cansaços, que percebe as suas alegrias antes mesmo que você as reconheça. E talvez seja esse o mais raro dos afetos, aquele que não carece de ser dito, tampouco necessita ser tocado, porque já é compreendido e por ser assim, não necessita de subterfúgios. Quem ama em silêncio sabe que o olhar é mais eloquente que qualquer discurso. E, sem te ver, lhe enxerga por inteiro. A isso se dá o nome de relações silenciosas ou linguagem do olhar maior. As relações silenciosas são aquelas que não precisam de declarações constantes para existir. Elas se sustentam em gestos mínimos. Um café preparado sem pedir, uma presença discreta em momentos difíceis, o respeito pelo espaço do outro...

A linguagem do olhar maior, por seu turno, da mesma forma não se exibe, se revela igualmente em detalhes. A cumplicidade invisível, nasce da confiança mútua, cresce e se agiganta sem a necessidade de palavras. Do mesmo modo, o afeto cotidiano. Ele se patenteia em pequenas ações que parecem banais, mas sem subcarregar o seu parceiro ou parceira. Se amolda em significado profundo. Essas relações são como pequenos rios subterrâneos. Não se veem, mas alimentam a vida na superfície. Mesmo sentido, esse olhar maior existe e talvez seja a forma mais direta de comunicação silenciosa. Ele atravessa barreiras que a fala, por vezes, não consegue dimensionar.

[Livros & Leituras] O meu amigo Billy

Como o amor de um gato mudou para sempre a vida de um menino autista

Louise Booth, Porto Editora, 1ª edição: setembro de 2015. 208 páginas. 

Fraser é uma criança autista de três anos, tensa e ansiosa, com acessos de raiva tão súbitos quanto incontroláveis.

A vida dos Booth, numa pequena casa na herdade de Balmoral, a residência de verão da rainha de Inglaterra, é dura e muitas vezes desesperante. Para Louise, a mãe de Fraser, o futuro parece pouco animador.

É então que o filho conhece Billy, um gato cinzento e branco, e a amizade que nasce entre os dois irá mudar para sempre as suas vidas. Os dois tornam-se inseparáveis e, com a ajuda do seu novo amigo de quatro patas, Fraser começa a fazer progressos: pequenas coisas que, somadas, dão vida a um verdadeiro milagre. 


«A forma como Billy encoraja Fraser é inspiradora.»
James Bowen, autor de A minha história com Bob

«Um exemplo da força das relações entre os mais novos e um animal de estimação.»
The Times

«Um relato enternecedor.»
Daily Mail

👍👍👍

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Paris, cidade-luz (a luz é do fogo posto)

Alberto Gonçalves comenta a destruição nas ruas de diversas cidades francesas após a vitória do PSG

Um pormenor engraçado sobre a selvajaria em França: os que nunca referem a ascendência da maioria dos autores dos distúrbios são os mesmos que usam a “exclusão social” a que são votados os jovens magrebinos para tentar explicar (e legitimar) os distúrbios.

Infelizmente, a “exclusão social” não explica nada. A imigração desmesurada explica bastante. E a vergonha que o Ocidente sente de si próprio explica tudo.

Por culpa de governos débeis e por isso perigosos, e dos cidadãos que os elegem, a Europa abdicou de garantir a sua sobrevivência enquanto tal.

Não sei se isto foi deliberado, mas sei que foi permitido.

E, de uma maneira ou de outra, não vai acabar bem. 

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O suicídio sindical

Henrique Pereira dos Santos

Como a generalidade das pessoas, ligo pouco ao que fazem, e menos ainda ao que dizem, os sindicatos, organizações que estão tão desligadas dos trabalhadores que a anterior Secretária Geral da CGTP era uma senhora que toda a sua vida profissional se limitava a funcionária sindical.

Achei curioso um título sobre os quatro dias de greve convocados pelo Sindicato dos Técnicos da Migração numa semana em que há uma greve geral à quarta feira e um feriado à quinta, que resolvi ver a notícia para saber que greve era essa. 

É uma greve à segunda, terça, quarta (o dia da greve geral), interrompe à quinta (feriado) e retoma a sexta-feira, num princípio de junho de tempo ameno.

Ri-me, naturalmente, da caricatura em que os funcionários dos sindicatos estão a transforma o movimento operário e iria passar à frente quando reparei nas reivindicações que justificavam os quatro dias de greve:

 “crescente degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos” e “preocupação com o recurso ao ‘outsourcing’ em funções de elevada complexidade técnica, colocando em causa a qualidade do serviço público”.

Moraes acelera projeto de controle das redes às vésperas da eleição

Enquanto o governo fala em regulação, todos sabem que os brasileiros estão perdendo cada vez mais liberdade para se expressar nas redes

Timeline

LISBOA, 1º de junho de 2026 — A poucos meses da eleição presidencial, Moraes voltou a defender a regulamentação das redes sociais. Oficialmente, o discurso é o mesmo de sempre: combater a desinformação, proteger a democracia e limitar o poder das Big Techs. 

Mas a essa altura dos acontecimentos, poucos brasileiros ainda acreditam que essa discussão seja apenas sobre tecnologia.

O que está em jogo é poder.

Poder para definir quem pode falar. Poder para determinar quais narrativas são aceitáveis. Poder para decidir quais opiniões permanecerão visíveis e quais serão empurradas para a invisibilidade digital.

Durante anos, o establishment político brasileiro tratou as redes sociais como um problema a ser resolvido. Não porque elas ameaçam a democracia, mas porque romperam o monopólio da informação que durante décadas esteve concentrado nas mãos de governos, grandes veículos de comunicação e grupos políticos tradicionais.

Foi justamente nesse ambiente sem intermediários que surgiram movimentos políticos capazes de desafiar as estruturas de poder consolidadas em Brasília.

Não é coincidência que a pressão por controle tenha aumentado exatamente depois disso.

A União Europeia à margem da paz que negociou

Bruxelas reclama lugar nas negociações, mas Moscovo recusa-a como mediadora e Washington já não a consulta

António Justo

A União Europeia encontra-se hoje perante uma contradição diplomática de difícil resolução: após a escalada do conflito em 2022, os aliados ocidentais de Kiev romperam laços com Moscovo e adoptaram uma estratégia de isolamento total da Rússia, e agora vê-se excluída das negociações de paz que se desenvolvem sem a sua presença efetiva.

Estão em curso negociações trilaterais com os Estados Unidos, a Federação Russa e a Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos, o que coloca em evidência o papel marginal da UE nos esforços diplomáticos para pôr termo à guerra que decorre no seu próprio continente. O Parlamento Europeu reconheceu formalmente que a marginalização da UE destas conversações é uma consequência direta da sua incapacidade de seguir uma estratégia diplomática autónoma, caracterizada pela ausência de iniciativa própria e por uma dependência excessiva de abordagens militarizadas, alinhadas pelos EUA e pela NATO.

Perante este impasse, a Alta Representante da UE, Kaja Kallas, admitiu abertamente que a Europa nunca será um mediador neutro entre a Rússia e a Ucrânia, porque está do lado da Ucrânia e defende os seus próprios interesses de segurança fundamentais. A declaração, ao reconhecer publicamente a perda de neutralidade, terá agravado as perspectivas de Bruxelas participar nas negociações. Moscovo, pela voz do ministro Lavrov, classificou as condições impostas pela UE como “idióticas”, e acusou a União Europeia de praticar “diplomacia de megafone”, emitindo ultimatos públicos em vez de procurar negociações substantivas.

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Paulo Hasse Paixão

Mais de 750 pessoas foram detidas, 219 ficaram feridas e 57 polícias ficaram feridos após a vitória do Paris Saint-Germain sobre o Arsenal na final da Liga dos Campeões, que provocou distúrbios generalizados em toda a França.

Os adeptos encheram a famosa avenida Champs-Élysées imediatamente após o PSG garantir a vitória por pênaltis, com imagens a captar violências generalizadas, viaturas automóveis e bicicletas elétricas incendiadas, lojas vandalizadas e fogo de artifício a ser usado como arma contra a polícia.

Os problemas já tinham começado quando os adeptos se juntaram no estádio do PSG, o Parc des Princes, para assistir à partida em ecrãs gigantes.

Porta falsa

Escultura ‘rara’ é encontrada em mansão de R$ 220 milhões no Leblon antes de demolição

Obra do mestre romeno, avaliada com lance inicial de R$ 400 mil, estava em um quarto fechado da residência; tapeçaria original de Basquiat também será leiloada

Victor Serra

À medida que se aproxima a demolição de uma das residências mais caras já vendidas no mercado imobiliário brasileiro, novas descobertas continuam surgindo dentro da mansão do Jardim Pernambuco, no Leblon. A mais recente delas é uma escultura do artista romeno Constantin Brancusi (1876-1957) [foto], considerada uma raridade e que será colocada à venda com lance inicial de R$ 400 mil.

A peça foi encontrada em um quarto que permanecia fechado na propriedade, vendida no ano passado por R$ 220 milhões. O imóvel já tem demolição autorizada para dar lugar ao condomínio de luxo Estância Pernambuco

Outra surpresa revelada durante o processo de catalogação foi uma tapeçaria original do artista americano Jean-Michel Basquiat, um dos nomes mais valorizados da arte contemporânea mundial.

As duas obras estarão entre os destaques de um novo leilão marcado para o próximo dia 9 de junho. Segundo o leiloeiro Ernani Costa, responsável pelo processo, cerca de 1.600 itens estão sendo preparados para o pregão, que ainda passa pela fase final de catalogação.

Primeiro leilão impressionou com acervo

A descoberta amplia uma coleção que já havia chamado atenção no fim do ano passado. Em novembro, um primeiro grande leilão realizado na residência reuniu aproximadamente 2 mil lotes e quase 10 mil objetos pertencentes à família Amaral, antiga proprietária da rede de supermercados Disco. O conjunto de peças foi avaliado em mais de R$ 25 milhões.

France’s “Forward Deterrence” Vis-à-vis Russia Raises The Risk Of Nuclear War

Andrew Korybko 

France’s planned deployment of nuclear-armed Rafale jets armed in the Arctic, Central Europe, and possibly also the Balkans poses a qualitatively new strategic threat to Russia

The announcement in late April that France and Poland will carry out regular nuclear drills, which analysts reasonably believe are aimed against Russia (specifically Kaliningrad) and Belarus, represented the first application of what French President Emmanuel Macron has termed “forward deterrence”. It followed his speech earlier in the year where he introduced this concept, essentially the expansion of France’s nuclear umbrella over Europe, that in turn came shortly after the expiry of the New START.

The Telegraph detailed what Macron had in mind in their article about “How France took the nuclear option to make Putin think twice”. Rafale jets armed with tactical nukes will deploy not only to Poland, but likely also to the Netherlands, Belgium, Greece, Sweden, Denmark, and Germany, all of which showed interest in his “forward deterrence” initiative. The day after their article was published, Norway announced that it’ll participate in this initiative, thus likely holding regular nuclear drills like Poland will.

The tactical aspect of the nukes that France envisages deploying with its Rafales all across Europe are significant, the Telegraph explains, because they form part of what its nuclear doctrine calls a “nuclear warning shot”. This refers to “a single, non-renewable, limited nuclear strike, which would most likely be aimed at a military target.” The purpose is to spook the target, understood to be Russia, into halting military operations and resorting to solely diplomatic means for resolving whatever the dispute may be.

Galo vence confronto direto e afunda o Vasco no Brasileirão

O Atlético-MG venceu o Vasco por 1 a 0 na tarde deste domingo (31), em São Januário, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, e agravou a crise do clube carioca, que terminou a rodada na zona de rebaixamento. O único gol da partida foi marcado por Vitor Hugo, de cabeça, após cobrança de escanteio ainda no primeiro tempo.

O lance decisivo aconteceu aos 31 minutos da etapa inicial. Após cobrança de escanteio pela direita, Vitor Hugo subiu mais alto que a defesa vascaína e cabeceou no canto, sem chances para o goleiro Léo Jardim. O Atlético-MG mostrou eficiência em uma das poucas oportunidades criadas e conseguiu administrar a vantagem até o apito final.

Mesmo atuando diante de sua torcida, o Vasco teve maior volume ofensivo e pressionou em diversos momentos da partida, mas encontrou dificuldades para transformar as chances em gols. O goleiro Everson foi um dos destaques do time mineiro, com defesas importantes que garantiram o resultado positivo para o Galo.

[Sétima Arte] Hamnet

Hamnet (bra: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet; prt: Hamnet) é um filme drama histórico dirigido por Chloé Zhao, baseado no romance de 2020 de Maggie O'Farrell. 

O filme teve sua estreia mundial no 52.º Festival de Cinema de Telluride e teve lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos e Canadá em 27 de novembro de 2025 pela Focus Features, expandindo para todo o país em 12 de dezembro de 2025. O filme recebeu críticas positivas pelas atuações de Buckley e Mescal. 

Premissa

Uma história fictícia sobre a vida de William Shakespeare e sua esposa Agnes Shakespeare, após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet. Wikipédia 

Inglaterra, 1580. William Shakespeare, um tutor de latim empobrecido, conhece Agnes, uma mulher de espírito livre. Fascinados um pelo outro, envolvem-se num caso tórrido que leva ao casamento e a três filhos. 

No entanto, enquanto Will persegue uma carreira teatral em ascensão na distante Londres, Agnes permanece sozinha no domínio doméstico.

domingo, 31 de maio de 2026

Jogada de Lula liga alerta nas eleições: “O medo vai calar opiniões”

*O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira*, faz um alerta sobre os impactos do novo decreto do governo Luiz Inácio Lula da Silva que regulamenta decisões do Supremo Tribunal Federal sobre redes sociais.

Segundo ele, o Brasil pode entrar em um ambiente de “censura silenciosa”, no qual plataformas removem conteúdos preventivamente por medo de punições.

O comentário destaca o risco de críticas políticas e debates eleitorais desaparecerem das redes às vésperas das eleições.

Guilherme também questiona o aumento do poder de órgãos do Executivo sobre conteúdos online, e afirma que o debate público brasileiro pode sofrer um forte enfraquecimento.

O episódio termina com um chamado para reação da sociedade, do Congresso e das plataformas digitais em defesa da liberdade de expressão.


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Guerra ao Terror

A classificação do CV e do PCC como terroristas gera reações inflamadas e mostra que, mais do que criticar Flávio, o governo precisa estar mais atendo ao tema da Segurança


Nuno Vasconcellos

Se ainda houvesse dúvidas sobre a importância da viagem do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), aos Estados Unidos na semana passada, elas desapareceram na tarde de quinta-feira. A viagem foi importantíssima — e a prova disso está na reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus apoiadores à principal novidade que o filho mais velho de Jair Bolsonaro trouxe na bagagem. Há muito tempo, a esquerda não tinha uma reação tão irada e uníssona diante de um fato político como teve ao ouvir a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquadrou como terroristas as facções do crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A notícia sequer foi dada por Flávio. Ela partiu do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, por meio de uma postagem em suas redes sociais. Conhecido pelas posições rigorosas que defende no combate aos cartéis de drogas e ao crime transnacional, Rubio nunca fez segredo da intenção de classificar as duas facções brasileiras como “Organizações Terroristas Internacionais”.

A Casa Branca já considerava tomar essa decisão desde fevereiro de 2025, quando a lei americana passou a admitir essa classificação. Só não tinha feito isso antes devido à resistência do governo brasileiro a essa medida. Na avaliação da diplomacia americana, a relação entre os dois países já acumulava desgastes suficientes para ser piorada por mais um contencioso.

Você entende o que está acontecendo?

Apenas mostre isso a quem está perdido na guerra de narrativas ou não acompanha política e pergunte: 

[As danações de Carina] Quando numa corrida a cegueira se torna o milagre daquele corredor que não enxerga um palmo adiante do nariz

Carina Bratt

BEM LÁ NO ALTO do Infinito, o sol quente e radioso, ainda não tinha rompido por completo o horizonte de rosto macio quando os corredores se alinharam. É bom que se diga, não havia cronômetros digitais, nem tênis de última geração. Se faziam presentes apenas os pais, os avós e outros familiares, além dos guias de cada competidor. Apesar de toda a ansiedade pelo início da batalha a ser travada e o silêncio terno da expectativa exuberante atrelado ao som dos passos em desalinho que logo ecoariam com força total pela longevidade do asfalto que se perdia de vista, pairava no ar um certo temor e receio.

Na corrida às cegas, não se corre apenas contra o tempo. Igualmente, de roldão, pairam no ar o medo tétrico e a escuridão medonha que insistem em se instalar dentro de cada um de maneira alarmante. Os olhos vendados dos partícipes revelam o que a visão teimava esconder: a confiança no outro. Guias seguros e à disposição dos meninos e meninas, seguravam fortemente as cordas, cordas essas leves como fios de esperança, e na hora precisa conduziriam o parceiro, caso ele se desviasse, do carreiro a ser vencido.

Cada passo nesse tipo de pugilato é uma espécie de pacto. O guia anuncia: -- Cuidado, buraco à frente, Logo em seguida, curva à direita, agora acelera... vai, vai...  E o corredor, entregue ao intruso do desconhecido, aprende a confiar cegamente naquilo que não vê. Descobre também que correr sem ver é como enxergar com o corpo sem vida, com o ouvido tampado e com o coração quase a saltar pela boca. Sobretudo com o coração prestes a explodir

O público ao longevo do caminho, observa. Alguns incrédulos, outros emocionados. Porque ali naquela corrida não há vencedores solitários. Há duplas que se tornam uma só respiração, um só ritmo, um só coração enorme, batendo alvissareiro como se englobasse todos os demais. A corrida cega é a metáfora da vida: na verdade, ninguém, por mais esperto e ladino que seja, não chega longe se estiver sozinho. Podem ter certeza que não.

sábado, 30 de maio de 2026

Moro lança pré-candidatura com Flávio Bolsonaro


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Lenda de Frei Colherão

Alexandre Parafita

O Convento de Odivelas tinha como vigário um tal Frei Manuel de Macedo, frade Bernardo, pouco dado à virtude e grande comilão, a quem as freiras tinham posto a alcunha de Frei Colherão. Ele bem sabia que, nas suas costas, era assim que o apelidavam, mas nenhuma delas ousava, na sua presença, tratá-lo por essa alcunha. 

Um dia, o frade vigário, amigo de se meter com as freiras, encontrou na copa a linda madre Dona Inácia de Noronha, muito hábil na confecção de apetitosos doces, que estava enchendo de marmelada fresca uma grande quantidade de boiões.

Pé ante pé, chegou-se a ela, regaçou-lhe a manta e beijou-a atrevidamente, ao ponto de, se ela não gritasse e não lhe acudissem as despenseiras, sabe-se lá até onde chegaria a brutalidade do Frei Colherão.

A abadessa interveio, mas, tratando-se de clérigo tão eminente, abafou-se o escândalo. Desse modo, estava salva a honra do convento, mas quem não se conformava com tal humilhação era a freira Inácia, prometendo a si própria arranjar forma de se vingar.

Na véspera dos festejos de São João Baptista, era esperado no convento para pregar, Frei Tomé da Anunciação de Maria, que Dona Inácia sabia ser guloso como um cão e inimigo declarado de todos os padres de S. Bernardo.

Como a fama da sua marmelada corria mundo, Frei Tomé não se conteve em ir bater à cela de Dona Inácia a mendigar um boiãozinho da sua tão apreciada compota.

Zelensky Might Try To Financially Profit From The Romanian Drone Incident

Andrew Korybko 

Recalling that Trump once famously described Zelensky as “the greatest salesman on Earth”, it therefore wouldn’t be surprising if he tries pitching a “solution” to NATO whereby the bloc funds the dispatch of Ukrainian troops to Romania for putting their drone defense experience to use there

Two people were injured after a done hit an apartment building in Romania on the tri-border with Moldova and Ukraine on Friday in an incident that Bucharest blamed on Russia but without alleging that it was done deliberately. Putin called for an investigation when he was asked about it during a press conference, the Russian Ambassador to Romania denied that the drone came from his country, while Foreign Ministry spokeswoman Maria Zakharova claimed that the media hullaballoo is a diversion.

In her words, “It’s obvious why this story is being blown out of proportion. The West needs to make sure that nobody pays attention to Zelensky’s crime – the bloody, horrific terrorist attack (in Starobelsk).” She also described as “Russophobic” Romania’s closing of the Russian Consulate in Constanta and the declaration of its consul general persona non grata, promising that Russia’s response “will not be long in coming.” It’ll likely be tit-for-tit and involve the Romanian Consulate in St. Petersburg.

Looking beyond the media and political dynamics of this incident, there’s always the chance that it could be exploited by hawkish elements in NATO for finally implementing a no-fly zone over parts of Ukraine such as the southernmost one near the Danube River through which Ukraine receives some of its arms. Russia repeatedly warned in the past that such a development would constitute direct NATO intervention in the conflict and be met with a harsh response, however, which has deterred it till now.

A New Iron Curtain Is Inevitable

Andrew Korybko 

Russia’s consequent focus on the western front might embolden US-backed NATO member Turkiye to accelerate its power play in the south at the risk of sparking another regional crisis after Ukraine

Russian Ambassador-at-Large Artyom Bulatov warned in a recent interview that “Westerners, with energy worthy of a better cause, are erecting a new ‘Iron Curtain’, seeking to make irreversible the rupture – provoked by themselves – of socio-economic, trade, transport, interpersonal, cultural, and historical ties that have been built in the region not over years, but over centuries.” He also condemned the weaponization of regional interaction mechanisms like the Council of the Baltic States against Russia.

Truth be told, a new Iron Curtain is inevitable and has been since summer 2024 when the Baltic States and Poland combined their respective border fortification plans along NATO’s Eastern Flank to unveil what they now officially refer to as the “EU Defense Line”, which readers can learn more about here. This initiative will likely be expanded to include Finland too, thus stretching from the Arctic to Central Europe. Even in the event of a Russian-US rapprochement, which is now unlikely, these barriers will still remain.

Russian experts, who operated for so long under the influence of the wishful thinking fantasy that the EU is challenging Russia at its senior US patron’s behest and not due to its own ideologically driven hatred of Russia (contrary to its objective interests), are finally waking up to reality. New President of the Russian International Affairs Council Dmitriy Trenin, who issued an unprecedented clarion call in April for correcting foreign policy misperceptions, published a relevant piece in parallel with Bulatov’s interview.

[Versos de través] Hoje

Manuel Cândido Pimentel

Hoje abri a janela de par em par e tu entraste com o perfume das flores.
Hoje só existe assim… no perfume.
Acordas nos meus sentidos,
e eu olho o limoeiro e a laranjeira
que temos no quintal da nossa casa.
Tanto amor, querida, que ainda tínhamos para trocar.
Como abelhas colhíamos o eflúvio do perfume onde existes agora,
colhíamos da laranjeira e do limoeiro que são hoje estátuas de saudade,
e bebíamos a nossa presença que não é agora.
E este agora, meu amor, como me pesa…
Pesa-me o instante em que exististe
e pesa-me o instante em que existo.
O limoeiro e a laranjeira não são os mesmos.
Choram como eu… 

Manuel Cândido Pimentel, Casa da Calçada, 6-1-2024  

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Ausência 
Enquanto a noite for a noite 
Três de João Franco 
Nyneve ou A dama do lago 
Nosso passado

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Senado de Berlim decide que slogan “queimem os velhos homens brancos” não constitui crime de ódio

Paulo Hasse Paixão

Em setembro passado, o político do Partido Verde, Jakob Blasel, publicou no Instagram um vídeo de um protesto climático “Sair petróleo – Entrar do Futuro!”, em que uma jovem ativista segurava um cartaz que apelava para que se “queimem os velhos homens brancos”. Na altura, Blasel era o líder do movimento Juventude Verde. 

Apesar das múltiplas queixas apresentadas sobre o cartaz e o post, o Senado de Berlim defendeu-o, alegando, risivelmente, que não se dirigia a nenhum segmento específico da população.

Homens. Brancos. Velhos. Não são nenhum segmento específico da população?

Esta foi a resposta do Departamento do Interior do Senado a uma consulta escrita do representante da AfD, Marc Vallendar.

Segundo o Senado, o apelo representa uma crítica à atual política climática expressa de forma “exagerada e polémica”. Tais formulações são “em princípio” protegidas pelas liberdades de expressão e de reunião, desde que “claramente não visem a prática de crimes específicos”.

O cartaz, porém, apelava objetivamente à prática de um crime específico: a queima de velhos homens brancos.

Todas as investigações sobre o assunto, incluindo acusações de incitamento ao ódio, bem como de recompensa e conivência com crimes, foram arquivadas. No total, foram registadas nove queixas criminais em relação ao slogan, cinco das quais o Senado decidiu que poderiam ser avaliadas.