Humberto Pinho da Silva
Quando era rapazote, ia
com os meus pais veranear a pequena povoação do Vale da Vilariça.
Depois da janta, familiares e amigos abancavam-se na escaleira de velho e delapidado solar, cujas salas serviam de arrecadação a alfaias agrícolas, e as portas desvidraçadas abriam-se a largas varandas, que permitiam entrada a andorinhas em voos certeiros para os ninhos.
Nessa nova "Corte na
Aldeia" havia letrados e “analfabetos”, que aprenderam a ler e escrever à
custa de dolorosas reguadas.
Obtido o diploma, deram
”às de Vila Diogo”, abandonando a escola e os livros.
Nessa época não havia TV;
e o único aparelho de TSF, movido a bateria, pertencia a lavrador abastado, que
era colocado em dia de festa à janela, para quem quisesse bailar ao som da
música da Emissora Nacional.
Como disse, à noitinha,
pela fresca, depois de uma tarde cálida, acomodávamos nas escadas do velho
casarão brasonado.
Conversava-se, contávamos
tradicionais historietas, e advinhas... até que aproveitando pausa de silêncio,
saltou de súbito a pergunta:
- Qual é o ato mais
importante da vida?
Ouve-se murmúrios, e uma
voz se ergueu: É o casamento!...
Risinhos... e prosseguiu:
Quem pode e sabe realizar matrimónio por amor, com companheira que o ajude nos abrolhos da vida, acha um tesouro. Não é verdade que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher… que o acompanha, quase sempre, na sombra?







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