segunda-feira, 2 de novembro de 2026

[Sétima Arte] Mary Poppins


Londres, 1910. Um banqueiro, George Banks (David Tomlinson), resolve redigir um anúncio pedindo uma babá, após Michael (Matthew Garber) e Jane (Karen Dotrice), seus filhos, mais uma vez sumirem e fazerem Katie Nanna (Elsa Lanchester), a babá, pedir demissão.

Tentando controlar a situação Winifred (Glynis Johns), a mulher de George, faz tudo para acalmar o marido, mas sua cabeça está voltada para a defesa dos direitos da mulher.

As crianças também escreveram um anúncio, que difere bastante da babá que George pensa em contratar, tanto que depois de lê-lo o rasga em oito pedaços e joga na lareira, por tê-lo achado fantasioso demais.

Porém, os pedaços de papel milagrosamente voam juntos até uma nuvem próxima, onde está uma pessoa muito especial: Mary Poppins (Julie Andrews).

No outro dia chegam muitas candidatas para o cargo de babá, mas um vento misterioso as carrega antes de serem entrevistadas.

Chega então Mary Poppins, que desce das nuvens até a casa dos Banks, usando um guarda-chuva mágico como paraquedas.

domingo, 1 de novembro de 2026

A warning from Brazil

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Perderam nas urnas. Agora querem mudar o jogo

Três dias depois do segundo turno, os mesmos partidos que encolheram sentaram à mesa para redesenhar a eleição

Rogerio Pires 

Na última quarta-feira, 28 de outubro, os líderes de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, da federação PSDB-Cidadania e do Podemos sentaram à mesa com o presidente da Câmara, Hugo Motta. O presidente nacional do PSB, João Campos, também estava lá. A pauta era uma só: mudar a forma como você elege deputados.

Repare na data. Três dias depois do segundo turno. Vinte e quatro dias depois de o eleitor escolher a nova Câmara.

O plano, tem três etapas. A primeira é aprovar uma PEC ainda em 2026, com o caminho já combinado com Davi Alcolumbre no Senado. A segunda vem em 2030, com o chamado distritão misto: metade dos deputados sai dos mais votados de cada estado, e a outra metade sai de listas partidárias. A terceira chega em 2034, com o distrital misto definitivo, metade eleita em distritos e metade, de novo, pelas listas.

Parece assunto de especialista. Não é. É sobre poder.

O recado das urnas

No dia 4 de outubro, Nikolas Ferreira recebeu 3.119.318 votos em Minas Gerais. Lucas Pavanato recebeu 3.038.438 em São Paulo. Nunca um deputado federal tinha sido tão votado no Brasil.

Esses votos não ficaram presos ao nome deles. No sistema atual, cada voto entra na conta do partido, e é essa soma que define quantas cadeiras a legenda ocupa. Sem Nikolas, o PL de Minas cairia de 21 para 11 deputados. Sem Pavanato, o PL de São Paulo cairia de 19 para 12. São 15 colegas que chegaram junto. A própria simulação deixa claro que não se trata de transferência individual de votos, e sim do peso que essas votações deram à legenda.

Poland’s Ruling Liberals Are Already Blaming Russia For Their Attempted Judicial Coup

Andrew Korybko 

Their messaging strongly suggests that the government’s armed takeover of the Constitutional Tribunal was orchestrated in part to save Poland from allegedly Russian-backed anti-EU authoritarians

Liberal Polish Prime Minister Donald Tusk justified his government’s armed takeover of the Constitutional Tribunal and imposition of several legally dubious judges, which the conservative and libertarian-nationalist opposition parties deem a judicial coup, as “restoring the rule of law”. His ruling liberal coalition’s X page then shared a meme depicting Putin laughing behind controversial libertarian-nationalist leader Grzegorz Braun, who’s taking off a mask of conservative leader Jarosław Kaczyński.

Braun and Kaczyński, who said earlier this year that a hypothetical coalition with Braun after fall 2027’s next Sejm elections would be akin to an alliance with Putin, took a selfie together outside of the Constitutional Tribunal during Friday night’s impromptu, large-scale, and peaceful protest. Tusk alleged in the spring that those two, the other libertarian-nationalist opposition party, and conservative President Karol Nawrocki are all in cahoots with Russia over a so-called “Polexit”.

Kaczyński’s recent echoing of Nawrocki’s detailed plan from November 2025 for reforming the EU into a union of nation-states to avert its transformation into a German-dominated federation like it’s on track to become was exploited by Tusk to lie that his opponents want Poland to leave the EU. That was posted approximately one hour before his attempted judicial coup. The day prior, Deputy Defense Minister Cezasty Tomczyk quipped that Kaczyński mistook the forum that he was speaking at for the Kremlin.

Salazar tentou ocultar o Terramoto de 1755? (Contos de um vilarejo)

João José Brandão  

O Terramoto de 1755, João Glama Ströberle, 1756-1792 (?), Museu Nacional de Arte Antiga

"Quosque tandem ó Catilina abutere patientia nostra?"
Marco Túlio Cícero 

Notícia de última hora, divulgada pela agência Lusa, dá conta que o historiador (?!) Fernando Rosas terá descoberto um documento na Torre do Tombo – com sinais evidentes de ter sido submerso em água e lama – que mostra claramente como o “ditador” António de Oliveira Salazar quis ocultar, ao oprimido povo português, o número de mortes e destruição, ocorridos no fatídico abalo sísmico de 1 de novembro de 1755. 

Faz agora 271 anos! 

Logo que soube desta notícia a fogosa Catarina, do Bloco Canhoto, veio perorar sobre a miserável censura do “Estado Novo” e que a célebre frase – convenientemente atribuída a Pombal, mas na realidade proferida pelo Marquês de Alorna – “sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”, devia ser reescrita para, “há que desenterrar os mortos, abrir os portos e pôr os vivos a bife com batatas fritas, a fim de escancarar toda a tragédia (talvez assim o BCE pudesse ir na treta de reavaliar o pagamento da dívida…)! 

Mas o “PêCê”, pela boca do seu maestro Raimundo veio, prestes, contrapôr que a ideia era sua e o que é preciso fazer é aumentar o salário-mínimo para todos os mortos e vivos, desde aquela funesta data, para 1.000 cruzados, digo euros! (e oferta de uma “maison”, a todos os desafortunados da vida – obviamente vítimas do Capitalismo).2 

O PR questionado sobre o assunto respondeu que só falava quando lhe chegasse às mãos tão precioso documento; que se houvesse democracia sabia-se tudo e que, provavelmente, se tinha conseguido salvar o papiro dos incêndios havidos nessa altura, por a Protecção Civil funcionar melhor que em Pedrógão Grande. 

Estava, também, pronto a condecorar em estátua, o bombeiro voluntário que salvou o documento, no próximo 10 de Junho e a convidar o antigo “palrador – mor do reino” a tirar uma “selfie” com ele (bombeiro), a título póstumo. 

Quando soube disto a Fundação à volta do Aristides Sousa Mendes (que ele jura, nada ter a ver com ele), emitiu um comunicado dizendo que os bombeiros, na época, eram maioritariamente de origem judaica, pelo que foram certamente escondidos e protegidos pelos antepassados do grande cônsul de Bordéus, também ele perseguido e exautorado pela negregada figura nascida naquela obscura aldeia do Vimieiro. 

Requeria ainda, que a condecoração e a “selfie”, fossem depositadas no recém-inaugurado, logo fechado e depois reaberto, museu (da “fronteira da Paz”) de Vilar Formoso. 

Após sequestros de ônibus, Douglas Ruas anuncia mudança na segurança pública do Rio: 'É guerra que eles terão'

Governador eleito Douglas Ruas reage aos sequestros de ônibus na Zona Norte do Rio e promete nova estratégia de segurança pública a partir de janeiro de 2027, com inteligência e integração policial

Quintino Gomes Freire

O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), prometeu mudar a política de segurança pública do estado a partir de janeiro de 2027. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (30/10), após criminosos sequestrarem ônibus e utilizarem os veículos como barricadas na Zona Norte, Ruas afirmou que seu governo adotará uma postura mais firme no enfrentamento às organizações criminosas. 

As declarações ocorreram após os ataques registrados em bairros como Irajá, Cavalcanti e Madureira, em meio à ocupação policial do Complexo da Serrinha. Os criminosos atravessaram ônibus e outros veículos em vias públicas, provocando transtornos no trânsito e alterações nos itinerários do transporte coletivo.

“Os criminosos estão numa guerra, e é uma guerra contra a sociedade, contra todos nós. E o governo do Rio vai entrar nessa guerra, com inteligência, planejamento e respeito às leis, mas também com toda a sua força e determinação. Se é guerra que eles querem, é guerra que eles terão”, declarou Douglas Ruas.

Governador eleito promete nova estratégia de segurança

Na publicação, Ruas classificou os sequestros de ônibus como intoleráveis e afirmou que a população não pode continuar tendo sua rotina interrompida por ações criminosas.

A doença que mata sem aviso

A vitória nas urnas não dá ao governo o direito de continuar ignorando os sintomas da moléstia fiscal e tratando o dinheiro público como se não houvesse amanhã


Nuno Vasconcellos

Pela maneira e pelo tom com que o assunto vem sendo tratado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva e pelos políticos que gravitam em torno dele, a defesa de um ajuste fiscal capaz de trazer um pouco de ordem às contas públicas do Brasil nada mais é do que a prova da insensibilidade do mercado financeiro malvadão diante da situação da população mais vulnerável do país. Organizar as contas públicas, na visão da esquerda, seria praticamente sinônimo de corte de recursos para os programas sociais — como se não houvesse outra maneira de conter a gulodice do Estado.

Na semana passada, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, provocou um tremendo bafafá ao comparar o tratamento que as finanças públicas terão no quarto mandato de Lula com o rigor que havia sido prometido pelo derrotado Flávio Bolsonaro. O plano econômico da oposição, só para recordar, previa a redução de até R$ 200 bilhões por ano nas despesas federais. Bem recebida pelo mercado, a promessa derrubou a cotação do dólar e elevou os preços das ações negociadas em Bolsa depois do resultado no primeiro turno das eleições.

O efeito da vitória de Lula foi justamente o contrário. Jogou no chão a cotação das empresas brasileiras e puxou o câmbio para a estratosfera. Na semana seguinte à vitória de Lula, o índice da B3, a bolsa de valores do país, sofreu uma queda de 18%. E a elevação da cotação do dólar, que alcançou R$ 5,44 na sexta-feira, foi superior a 9% ao longo da semana.

[Antigamente] Let's twist again

Brasileiro, é normal para você?!


Maria Teresa Blanes

Se para você é normal prender alguém por causa de um vídeo, mesmo que o vídeo seja patético, e acabar com a vida dessa pessoa, você é um ser das trevas, maligno e vil.

Após anos de perseguição, e após ignorarem o perdão presidencial que Daniel recebeu de Bolsonaro, a situação continuou.

Após a cirurgia, Daniel foi obrigado a viajar por horas para fazer fisioterapia, pois foi proibido de permanecer em sua residência.

Depois de anos dessa desgraça, a PGR não viu razão para o processo, e Moraes o arquivou. E ainda temos que escutar que Silveira fez algum acordo.

Jesus, pare o mundo que eu quero descer!

Pelo amor de Deus, dá para ver o arbítrio, o abuso de autoridade e a destruição da democracia enquanto a fome e a miséria imperam neste país?

Imagem e Texto: Maria Teresa Blanes, Facebook, 31-10-2026, 18h10 

Dez em dez para o Campeão

FC Porto goleou o Estoril Praia (4-0) e atingiu as 10 vitórias na Liga à 10.ª jornada

O líder da Liga Portuguesa segue firme no topo. De volta ao Estádio do Dragão 72 horas depois de carimbar a passagem à final four da Taça da Liga, o FC Porto dominou durante 90 minutos e venceu o Estoril Praia por 4-0 com golos de Victor Froholdt, Borja Sainz, André Silva e Gabri Veiga. Os azuis e brancos somam agora 30 pontos em dez jornadas, mais oito do que o Benfica - que tem menos um jogo disputado - e mais nove do que o Sporting.


Sem poder contar com Martim Fernandes - de fora a contas com uma amigdalite -, Francesco Farioli mudou todas as peças do onze, fez alinhar Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu, Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga, Pepê, Borja Sainz e Samu de início e colheu os primeiros frutos logo ao quarto minuto. Gabri, Samu e Borja combinaram à esquerda e o remate do extremo saiu desviado da baliza, mas Pepê aproveitou a sobra para assistir Froholdt, que encostou para o 1-0.

Os Dragões não tiraram o pé do acelerador, o fluxo de jogo decorria unicamente junto à área forasteira e Martin Turk foi obrigado a intervir em quatro lances consecutivos: Rosario testou os reflexos do esloveno com um remate forte, Bednarek tentou marcar de cabeça, Pepê também disparou de fora da área e, por fim, o central polaco atirou de primeira, mas o esférico saiu ligeiramente por cima da trave (8m). Alberto Costa voltou a obrigar o guardião a mostrar reflexos apurados aos 24 minutos, antes de Samu combinar com Zaidu e cabecear com perigo. Ao cabo dos primeiros 32 minutos, o domínio portista traduzia-se em oito oportunidades de golo contra nenhuma do lanterna vermelha, mas a vantagem ainda era mínima no regresso às cabines.

[As danações de Carina] O Tempo que eu queria

Carina Bratt

ENTRE OS LIVROS da minha humilde biblioteca, outro dia dando uma limpeza geral, achei um livro do escritor italiano Fábio Volo (Nome verdadeiro de Fábio Bonetti) que me chamou a atenção, não pela história contada por ele, mas pelo título. No livro de Fábio, ele narra a história de um homem que luta com todas as forças para sair da pobreza e reconquistar o afeto da família. 

Diferente do meu tempo, desse meu tempo de agora, desse meu tempo que eu queria, ou melhor, que eu quero e almejo, e por conta dele, vivo cada minuto como se o próximo segundo fosse o último. Ficou assim. Espero que gostem. 

Há um tempo dentro de mim, que eu sempre busquei. Ele não está no relógio da minha parede, perto do piano na sala, nem no calendário lá na cozinha, de braços dados com a geladeira, sinalizado com um bocado de datas importantes grafados com caneta esferográfica de cor vermelha. Esse tempo está num lugar em meu interior, no fundo mais profundo do meu âmago. É aquele tempo que às vezes dói só de lembrar, ou melhor, de olhar para ele.

Penso no meu pai Francisco, homem de farda, de passo firme e palavras retas. Ele sabia o valor de cada minuto, como se o tempo fosse uma ordem a ser sumariamente cumprida.

Papai partiu antes que eu pudesse lhe devolver um pouco de tudo o que ele me ensinou. Hoje, quando o procuro, o encontro sorrindo apenas no meu silêncio, naquele silêncio que ficou, no jeito dele andar que herdei, nas lições de vida que ainda me guiam. Queria, na verdade, mais tempo com ele, tipo assim, tempo de ouvir de novo as suas histórias, de ouvir agarrada em seu peio, as suas músicas, (ele amava Nelson Gonçalves. Tinha todos os discos, naquele tempo os famosos bolachões. Papai amava também o cantor Onésimo Gomes (‘Noite alta, céu risonho, a quietude é quase um sonho...’) sentar ao seu lado aninhada em seu colo, na rede do quintal debaixo do abacateiro e sem pressa, só para dizer: ‘obrigado, meu ‘papito’, por você existir e sobretudo, por ser meu exemplo imorredouro de vida e meu chão’’.

Onde é? Qual o nome? 😉

sábado, 31 de outubro de 2026

“uma sociedade que retira sistematicamente autoridade às suas forças de segurança não elimina a necessidade de ordem”

João Pereira dos Santos 

Todos os dias, milhares de cidadãos apresentam queixas pelos mais variados motivos. Umas têm fundamento, outras são completamente estapafúrdias. Umas são motivadas por problemas genuínos, outras têm objetivos ocultos e destinam-se a atingir pessoas ou instituições que os denunciantes, por um motivo ou por outro, querem prejudicar.

Assim sendo, de onde vem esta obsessão da esquerda e dos seus órgãos de comunicação social em atacar ferozmente a polícia?

Pois bem, quem tem alguns conhecimentos de política internacional sabe que o marxismo não é igual em todo o lado. Tivemos o marxismo soviético, o chinês e o latino-americano. Embora todos tenham produzido regimes autoritários, a América Latina desenvolveu uma tradição revolucionária particularmente marcada pela proximidade entre movimentos políticos, guerrilhas e organizações criminosas.

Veja-se o caso das FARC, na Colômbia, uma organização marxista que financiou parte das suas atividades através do narcotráfico, dos sequestros e da extorsão. Ou o Sendero Luminoso, no Peru, que transformou a promessa de libertação dos trabalhadores numa campanha de terrorismo contra a própria população que dizia defender.

Depois temos Hugo Chávez, que começou por tentar conquistar o poder através de um golpe militar, antes de chegar à presidência da Venezuela pela via eleitoral. E Nicolás Maduro, seu sucessor, cujo regime ficou associado à repressão política, à destruição das instituições democráticas e ao narcotráfico.

No Brasil, temos Lula da Silva, com o Mensalão e Lava Jato.

Ora, por motivos que ainda não consegui compreender na sua plenitude, os novos movimentos de esquerda europeus parecem ter ido buscar inspiração precisamente às experiências mais problemáticas da esquerda latino-americana, o que é bem visível nas ruas e nas elites, desde Sócrates com Chavez a José Luís Carneiro a se reunir com o governo venezuelano assim que Maduro foi capturado. Delcy Rodriguez lhe sucedeu.

As pesquisas e a virada de Janones

Gastão Reis

A eleição presidencial de 2026, em seu segundo turno, apresentou algumas características estranhas. Analistas políticos tentam entender o fato de as últimas pesquisas, às vésperas da eleição, apontarem Flávio Bolsonaro como favorito, com uma vantagem sobre Lula de dois ou mais pontos percentuais. E, de repente, não mais que de repente, o quadro mudou, até percentualmente, em questão de poucas horas, a favor de Lula.

O autor do milagre teria sido o deputado federal André Janones. Sua estratégia teria mudado a cabeça dos eleitores nas redes sociais a ponto de conseguir milhões de votos para Lula, vencedor no segundo turno após ter ficado em segundo lugar no primeiro, vencido por Flávio Bolsonaro. Situação inédita, sem dúvida. A questão central é se as pesquisas simplesmente erraram em massa ou se haveria outros fatores explicativos para o surpreendente e inesperado resultado das urnas.

Vamos por partes. Qualquer sistema eleitoral fidedigno deve permitir a recontagem de votos quando e onde for necessária para dirimir quaisquer dúvidas quanto aos resultados. As atuais urnas permitem a retirada de um boletim de urna em forma de lingueta com os votos de cada um dos candidatos. Não obstante, parece haver resistência quando se fala em recontagem. O fato de o ministro Cristiano Zanin prorrogar por duas horas o funcionamento das seções eleitorais, em decisão monocrática, causou estranheza, aqui e no exterior, pois algo semelhante jamais havia ocorrido antes.

O mercado financeiro, por não acreditar no corte de gastos (ajuste fiscal) sob Lula, viveu na segunda-feira, 26.10.26, um dia muito tumultuado. A bolsa caiu quase 14% e o dólar disparou 8,22%, fechando em R$ 5,40. Tal situação revela a acentuada falta de confiança no futuro. Afinal, um presidente que afirma que é babaquice fazer superávit primário — ou seja, gastar menos do que se arrecada para reequilibrar as contas públicas — não merece crédito, vale dizer, confiança do mercado.

Tusk’s Attempted Judicial Coup Is Similar To Zelensky’s Earlier Successful One

Andrew Korybko 

Unlike Zelensky, Tusk probably won’t manipulate political-legal processes in a bid to remain in power indefinitely regardless of however fall 2027’s next Sejm elections turn out, but what he’s attempting is much more insidious since it’s about subordinating Poland to the German-led EU

Former President and Deputy Chair of the Security Council Dmitry Medvedev wrote that “There’s a constitutional coup in Poland. The liberals of Tusk’s Brussels fosterling are oppressing the conservatives of PiS. Apparently, in part because of the latter’s hatred of Banderovites. And the method is exactly the same as in neo-Nazi Ukraine: annulling the powers of the Constitutional Tribunal. It’s long since disappeared there—a goateed bastard in a green tunic has purged the court. Well, what can you say?”

He made a good point by comparing Tusk to Zelensky since the former’s attempted judicial coup, which aims to shape the post-war European order by preventing a future conservative-led coalition from stopping the EU’s transforming into a German-dominated federation, is similar to Zelensky’s from 2020. As a reminder, Zelensky suspended the Constitutional Court’s chair during that year’s political crisis sparked by their ruling on anti-corruption reforms, which readers can learn more about here.

The aforesaid crisis stretched into the large-scale phase of the Ukrainian Conflict that broke out in 2022, thus resulting in legally contentious laws that were promulgated on the pretext of wartime needs, which prolonged some justices’ terms after they expired as Putin once pointed out. After the expiry of Zelensky’s own term in May 2024, Medvedev declared that “He spat on the Constitution of his ‘country,’ ignored the Constitutional Court, and did not even extend, but usurped the supreme power.”

Poland’s Attempted Judicial Coup Will Shape The Post-War European Order

Andrew Korybko 

Poland’s German-backed liberal premier wants to hamstring the US-backed conservative president’s efforts to lead the EU’s reform into a union of nation-states if his allies return to power next fall, which would save it from becoming a German-dominated federation and turn Poland into a regional power

Liberal Polish Prime Minister Donald Tusk attempted a judicial coup on Friday while conservative President Karol Nawrocki was en route to Africa, thus prompting him return to Poland mid-flight to lead the resistance from the front. To oversimplify a complex legal issue, there’s been an over-decade-long dispute between liberals and conservatives over the Constitutional Tribunal, which the liberals and their EU allies accuse the conservatives of stacking. The Tribunal tends to prioritize Polish law over EU law.

Anna Korwin-Piotrowska, who was elected to the Tribunal by the liberal-controlled Sejm but to whom Nawrocki refused to administer her oath on the grounds of a flawed election procedure (thus making her status therein legally debatable), ordered the suspension of the Tribunal’s president and vice-president. She assumed their roles and ordered police to the courthouse, while Tusk’s Justice Minister requested stripping their immunity and bringing charges against them. Protesters quickly gathered thereafter.

Nawrocki entered the premises late at night while being pushed around in the process and reaffirmed that he doesn’t recognize Korwin-Piotrowska as a judge. He later released a statement on X wherein he condemned the “violation of the constitutional order” and “forcible takeover of a constitutional state organ.” Nawrocki also called for the police to depart from the courthouse, announced that he’s convening urgent consultations with the Sejm, and thanked everyone who stood with the Tribunal.

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[Versos de través] O silêncio da sabedoria

António José Borges

o silêncio é o resto o resto é o silêncio
o ruído é o resto o resto é o ruído
(a vida é o que dá sentido à morte
o sentido é o que dá vida à morte)

a morte dá vida ao sentido
a dádiva é vida e a morte
a derrota na vitória do quase empate
ou vitória na derrota do quase empate
(Jacques Rodge?)

o hermetismo da magia no esplendor
do renascimento de Fernando Pessoa
na sabedoria de mestre Thot

em identificação do Hermes grego
escritor da invenção angular (da) pedra cristã
um Rudolf Steiner que pensa as artes

nas áreas de estudo importância rude
irmandade do coração corpo e mente

(pureza nobreza e robustez
A glória que Olímpia fez)


António José Borges 

Anteriores: 
Era uma vez um país 
Os Portugueses 
[Versos de través] Ainda que mal 
As sem razões do amor 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Malandragem eleitoral

A herança maldita que Lula deixou para si mesmo, o general da mentira e os primeiros sinais de uma crise anunciada estão entre os destaques desta edição

Caro leitor, 

"A procura pela cidadania italiana triplicou esta semana”, explicou uma atendente de uma empresa especializada ao se desculpar pela demora em responder a uma mensagem. Já as buscas no Google por “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% na noite de 25 de outubro, data do 2º turno, de acordo com o Google Trends. Nas 48 horas seguintes ao dia da eleição, a Frontexa, consultoria especializada na instalação de empresas no Paraguai, afirmou ao site Poder360 que foi procurada por 25 empresas. De janeiro a setembro, esse número não havia chegado a 100. 

“É um termômetro da expectativa dos brasileiros sobre ter que sobreviver em mais quatro anos de governo Lula”, observa Alexandre Garcia. O desespero de grande parte da população é compreensível. Como mostra Eugênio Esber na reportagem de capa desta edição, além das incontáveis dúvidas que cercam a votação, a campanha pela reeleição foi marcada pela compra de votos disfarçada de auxílio social e por uma avalanche de mentiras nas redes sociais. 

Só neste ano eleitoral, Lula criou 51 novas medidas com impacto no Orçamento federal que somaram, segundo levantamento do Estadão, mais de R$ 405 bilhões. Passados poucos dias do fim do pleito, o próprio Lula reconheceu a dificuldade de arcar com boa parte dessas promessas. Fábio Matos destaca que o dia seguinte à reeleição foi “o prenúncio do caos econômico que se avizinha”. O mercado financeiro entrou em pânico, e o Ibovespa desabou quase 14%. “Foi o pior resultado diário desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19, e a terceira maior queda da história da bolsa brasileira”, explica. 

Diferentemente do que faz desde 2003, quando estreou no Planalto, agora Lula não terá a quem culpar pela “herança maldita” que ele mesmo criou. A expressão foi usada pela primeira vez para se referir ao legado deixado por Fernando Henrique Cardoso. Mas Lula sabia que a história não era bem assim. Três meses depois da posse, o ministro Antônio Palocci telefonou para FHC para agradecer, “em nome do presidente”, pelo país que haviam recebido: economicamente organizado e com a estabilidade de preços promovida pelo Plano Real. 

Petistas, venham aqui dizer que Yanis Varoufakis é bolsonarista, por favor. Não se acanhem


O cinismo de narrativas e a degradação da democracia

António Justo 

The County Election, George Caleb Bingham, 1854

Quando os valores se transformam em instrumentos de legitimação e as instituições se afastam dos cidadãos, a democracia conserva as suas formas, mas perde a sua substância.

A democracia adoece fortemente quando aqueles que governam deixam de sentir as consequências das decisões que tomam e aqueles que as sofrem deixam de ter influência efetiva sobre elas…

A política, que deveria constituir o espaço privilegiado da responsabilidade coletiva, transforma-se progressivamente num circuito fechado de interesses, narrativas legitimadoras e decisões tomadas à distância da experiência concreta dos cidadãos.

O problema não reside simplesmente na existência de interesses, inerentes à vida social e política, mas na sua ocultação sob uma linguagem moral que apresenta como universalmente necessário aquilo que frequentemente corresponde a opções estratégicas particulares… A moral deixa então de funcionar como limite do poder para se transformar num dos seus instrumentos. Em vez de orientar a ação política, passa a justificá-la…

Quando as estruturas se autonomizam em relação aos cidadãos, deixam de ser pontes entre a sociedade e o poder para se converterem em filtros que condicionam ou neutralizam a vontade popular. Então a representação transforma-se em substituição, a mediação, em tutela e a autoridade institucional, numa espécie de propriedade política daqueles que controlam os seus mecanismos.

É neste contexto que floresce uma linguagem política cada vez mais abstrata. Expressões como «segurança nacional», «interesses estratégicos», «equilíbrio geopolítico» ou «defesa da ordem internacional» podem corresponder a necessidades reais, mas tornam-se problemáticas quando são utilizadas como fórmulas incontestáveis, necessidades absolutas, destinadas a encerrar o debate em vez de o esclarecer. A política passa a ser apresentada como uma atividade reservada a especialistas, enquanto aos cidadãos se atribui o papel de espectadores que devem confiar, consentir e suportar.

O vazio que grita nas ruas: o que acontece quando uma geração nasce sem Deus


Maria Helena Costa

Há algo de revelador nos protestos da Geração Z que percorrem cidades da Europa e de outros continentes. Não se trata apenas de custo de vida, corrupção ou falta de perspectivas — embora esses fatores sejam reais. O que se vê é uma geração que nasceu, cresceu e vive numa sociedade que, deliberadamente, voltou as costas a Deus.

O resultado não é o paraíso secular prometido, mas inquietação, fragmentação e a substituição de um Deus por muitos outros.

O homem é, por natureza, um ser religioso. Calvino falava do sensus divinitatis — o sentido de divindade inscrito em cada pessoa. O apóstolo Paulo descreve-o com clareza em Romanos 1:18-25: o que se pode conhecer de Deus é manifesto, pois Deus lho revelou; contudo, os homens «suprimem a verdade pela injustiça», «não o glorificaram como Deus» e «mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível». Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram a criatura em lugar do Criador. O vazio deixado por Deus não permanece vazio. É imediatamente preenchido.

Uma geração anterior foi convencida — muitas vezes em nome da liberdade, da autonomia e do progresso — de que não devia transmitir aos filhos a fé dos avós. A religião passou a ser vista como opressão, superstição ou, no melhor dos casos, assunto privado e opcional. Os pais que já se afastavam de Deus (ou da «religião», como preferiam dizer) educaram os filhos sem o ensino sistemático das Escrituras, sem a catequese, sem a disciplina da igreja e sem a visão de um Deus soberano, santo e gracioso.

O resultado está à vista: uma geração que exige justiça absoluta enquanto rejeita qualquer autoridade transcendente que a fundamente; que clama por sentido enquanto recusa o único que o pode dar; que protesta contra o mal enquanto relativiza a moralidade que o define.